Belo Horizonte (MG) – O Atlético-MG encaminhou a contratação do técnico argentino Eduardo Domínguez, 47 anos, atualmente no Estudiantes, para substituir Jorge Sampaoli ainda neste início de temporada. O acerto ocorre às vésperas da primeira semifinal do Campeonato Mineiro contra o América, na Arena MRV, e vem acompanhado da chegada por empréstimo do volante Tomás Pérez, 20 anos.
Por que o Galo aposta em Domínguez?
Depois de três temporadas seguidas priorizando modelos baseados em posse e pressão alta — com Sampaoli e interinamente com Lucas Gonçalves —, a diretoria alvinegra busca equilíbrio defensivo e pragmatismo. Em suas últimas três competições completas pelo Estudiantes, o argentino teve média de 0,9 gol sofrido por jogo, índice melhor que os 1,07 gol/jogo registrados pelo Atlético no Brasileirão 2023. Além disso, ele coleciona títulos recentes: Supercopa Uruguaia (2019), Copa da Liga Argentina (2021) com o Colón e uma sequência de conquistas nacionais entre 2023 e 2025 pelo Estudiantes.
O modelo 4-2-3-1 que vira 4-4-2 sem a bola
Domínguez costuma iniciar no 4-2-3-1, mas, ao perder a bola, o time encaixa um 4-4-2 compacto. A recomposição protege a última linha e reduz espaços entre setores, permitindo ao treinador explorar transições rápidas.
- Laterais: Renan Lodi deve atuar por dentro na construção antes de ganhar amplitude na fase ofensiva.
- Meia criativo: Gustavo Scarpa tende a flutuar atrás do centroavante, recebendo liberdade para ações entrelinhas.
- Pontas: Dudu pode ser acionado para acelerar contra-ataques, atacando o espaço nas costas dos laterais rivais.
- Referência: Hulk ganha profundidade e mantém presença na área, mas participa da parede para os meias.
Tomás Pérez: raio-X da nova peça do meio-campo
Idade/Altura: 20 anos, 1,82 m
Origem: Newell’s Old Boys (ARG) → FC Porto (POR) → Atlético-MG (empréstimo até dez/2026)
Seleção: Titular da Argentina no Mundial Sub-20 de 2025
Pontos fortes: leitura de interceptação, cobertura de laterais e condução em progressão
Função prevista: primeiro volante ao lado de Otávio, liberando Scarpa sem comprometer balanço defensivo
Agenda imediata: semifinal do Mineiro e transição de comando
A goleada por 7 × 2 sobre o Itabirito, com o primeiro hat-trick de Hulk pelo clube, manteve o time de Lucas Gonçalves em alta rotação. A tendência é repetir a formação ofensiva contra o América, usando Scarpa solto e laterais projetados. Já Domínguez deve acompanhar a partida nas tribunas, iniciando o trabalho logo após o clássico, dependendo apenas de detalhes burocráticos.
Raio-X – Números do novo comandante
• 58,4 % de aproveitamento em 298 jogos na carreira
• 1 título no Uruguai + 5 títulos na Argentina desde 2019
• 63 % de vitórias em mata-matas com o Estudiantes (2023-2025)
• 27 % de posse perdida no terço final – taxa inferior à média do Galo em 2023 (31 %)
• 9,1 finalizações/90 min concedidas em 2024 – índice que colocaria o Atlético entre os 3 melhores do último Brasileirão
Imagem: Marcelo Endelli
Impacto projetado para 2024
Se Domínguez reproduzir o mesmo padrão defensivo observado no Estudiantes, o Atlético tende a reduzir a média de gols sofridos sem abdicar da força ofensiva de Hulk, Scarpa e Dudu. A presença de Tomás Pérez oferece reposição jovem ao lado de Otávio e Patrick, preenchendo a lacuna deixada por lesões no setor. O pacote argentino indica que a diretoria mira regularidade em pontos corridos e solidez em mata-matas, fatores decisivos para Copa do Brasil e Libertadores.
Em resumo, a combinação de um treinador focado em equilíbrio e um volante com perfil de proteção sinaliza uma guinada estratégica no Galo: menos posse estéril, mais compacidade e transição. As primeiras respostas virão já no estadual, mas o verdadeiro termômetro será na fase de grupos da Libertadores, quando a nova engrenagem tática será testada contra adversários de maior calibre.
Com informações de Fala Galo