Fato principal: Odorico Roman confirmou sua candidatura à presidência do Grêmio para o triênio 2026-2029 e apresentou seis nomes para compor o Conselho de Administração de sua chapa.
Porto Alegre (RS), 06/10/2025 – O economista e ex-vice-presidente de futebol Odorico Roman oficializou em 2 de outubro a intenção de disputar a presidência do Grêmio. A chapa, que será submetida ao crivo do Conselho Deliberativo ainda neste mês, chega com seis integrantes já anunciados para o Conselho de Administração, passo decisivo no processo eleitoral previsto em estatuto.
Quem é Odorico Roman e por que volta ao cenário político
Roman, 60 anos, foi vice de futebol no ciclo 2016-2018, período em que o clube conquistou a Copa do Brasil (2016) e a Copa Libertadores (2017). Formado em Economia pela UFRGS e com passagens pela área de tecnologia da informação, ele saiu da gestão gremista em 2018, mas manteve influência nos bastidores. Seu retorno busca capitalizar a experiência administrativa e títulos recentes para convencer conselheiros e sócios em meio a um calendário esportivo que recolocou o Grêmio em evidência nacional – o clube terminou o Brasileirão 2023 como vice-campeão e garantiu vaga direta na Libertadores 2024.
Composição da chapa: perfis técnicos e representatividade
Até agora, seis nomes foram confirmados para o Conselho de Administração da chapa:
- Antonio Dutra Júnior – empresário e CEO da Tech6, agrega know-how em transformação digital.
- Fábio Rigo – empresário, filho do ex-dirigente Celso Rigo, tradicional investidor do clube.
- Luciano Brasil – presidente da FMP-RS e promotor de Justiça, potencial reforço para governança.
- Juliano Franczak – secretário do Esporte do RS e deputado estadual, conexão com políticas públicas.
- Eduardo Schumacher – advogado, especialista em direito esportivo.
- Carlos Dressler – vice-presidente da Comercial Lucar, experiência em logística e marketing.
A estratégia declarada é mesclar gestão corporativa, respaldo jurídico e relacionamento político para fortalecer três pilares: governança, categorias de base e futebol profissional.
Raio-X do Conselho de Administração
Idade média: 48 anos
Setores de origem: 50% iniciativa privada, 33% serviço público, 17% jurídico
Títulos conquistados em gestões anteriores dos membros: Libertadores 2017, Copa do Brasil 2016 (período de Roman), além de taças estaduais em passagens de conselheiros.
Cenário eleitoral: barreira estatutária e próximos passos
O estatuto do Grêmio prevê que todas as chapas precisam atingir 20% dos votos no Conselho Deliberativo para habilitar o pleito direto com os associados. Além de Odorico Roman, já manifestaram interesse Paulo Caleffi, Denis Abrahão, Gladimir Chiele e Sérgio Canozzi. A eleição da nova mesa diretora do Conselho Deliberativo ocorre na segunda quinzena de outubro; em novembro, se a cláusula de barreira for superada por mais de uma chapa, os 90 mil sócios adimplentes poderão escolher o presidente em votação eletrônica.
Imagem: Lucas Uebel
Impacto potencial na gestão esportiva
Internamente, a chapa avalia que o futebol profissional precisa de investimentos direcionados em ciência de dados, departamento médico e captação de talentos sub-20. Em 2024, o Grêmio registrou aproveitamento de 61% no Brasileirão, mas sofreu 46 gols – quinto pior sistema defensivo entre os oito primeiros colocados. A proposta de Roman inclui a criação de um comitê de desempenho para reduzir esse índice abaixo de 1,0 gol por jogo até 2027.
O que esperar até novembro
Se confirmada a presença de múltiplas chapas, a campanha deve intensificar debates sobre sustentabilidade financeira – o clube fechou 2024 com superávit operacional, mas segue com dívida bancária próxima de R$ 500 milhões – e sobre a infraestrutura da Arena, cujo contrato de exploração entra em fase de revisão em 2026. O bom desempenho em campo, aliado à passagem para as oitavas da Libertadores 2026, poderá ser trunfo eleitoral tanto para a situação quanto para a oposição.
Com uma base de apoio que combina executivos de tecnologia, direito e política, a chapa de Odorico Roman tenta se posicionar como a opção “gestão 4.0” para o próximo ciclo. O desenrolar das alianças até a votação no Conselho Deliberativo, previsto para o fim de outubro, será determinante para saber se os sócios terão ou não eleição direta em novembro.
Com informações de Portal do Gremista