Londres, 10 de outubro de 2025 – Em entrevista exclusiva à BBC, o árbitro inglês Anthony Taylor voltou a falar sobre a polêmica final da Liga Europa de 2023, em Budapeste, quando a AS Roma de José Mourinho foi derrotada pelo Sevilla nos pênaltis. Dois anos e meio depois, Taylor garante que “não houve erros graves” naquela noite e afirma que as críticas públicas de Mourinho “inflamaram o ambiente”, culminando na hostilidade que ele e sua família sofreram no aeroporto da capital húngara.
O que disse Anthony Taylor
Segundo o árbitro, o episódio em Budapeste foi “a pior situação de insultos” que já enfrentou na carreira, especialmente porque estava acompanhado da esposa e das filhas. Desde então, seus familiares deixaram de assistir a partidas no estádio.
Questionado se acredita que as declarações de José Mourinho – que, ainda no túnel do Puskás Aréna, chamou Taylor de “vergonha” – influenciaram o comportamento dos torcedores, o inglês foi categórico: “Sim, honestamente acho que sim”.
Contexto: por que a final de 2023 foi tão contestada?
O confronto terminou 1 x 1 no tempo regulamentar (gol de Dybala para a Roma e contra de Mancini para o Sevilla) e consagrou os espanhóis nos pênaltis (4 x 1). A Roma reclamou de dois lances-chave:
- Possível pênalti de Fernando por toque de mão dentro da área, não assinalado após checagem do VAR.
- Cartões: 7 amarelos para a Roma, 4 para o Sevilla, alimentando a tese de desequilíbrio disciplinar.
Apesar das críticas, o relatório da UEFA classificou as decisões como “ajustadas ao protocolo do VAR”, algo que Taylor voltou a defender na entrevista.
Raio-X da arbitragem de Taylor na temporada 2022/23
- Jogos internacionais apitados: 11
- Média de cartões por jogo: 4,9 (Premier League), 5,4 (competições UEFA)
- Reversões via VAR: 9 em 42 partidas (21,4%)
- Partidas da Roma antes da final: 0 – Budapeste foi o primeiro duelo do inglês com o clube italiano em competições europeias.
Impacto nas discussões sobre segurança e saúde mental de árbitros
A Federação Inglesa e a Premier League já investigam ofensas virtuais contra Taylor desde 2024. O árbitro não possui redes sociais ativas “para não perder tempo” e cita preocupação com a saúde mental de colegas expostos a narrativas que os rotulam como “incompetentes ou mal-intencionados”.
Na Inglaterra, a liga implantou nesta temporada o “REF-Respect Program”, que prevê punições automáticas para atletas e treinadores que extrapolem nas críticas públicas. A fala de Taylor, ao ligar o comportamento de Mourinho aos ataques no aeroporto, reforça o debate sobre essa regulamentação também em competições da UEFA.
Imagem: Internet
O que muda daqui para frente?
1) Pressão sobre a UEFA: a entidade discute endurecer sanções a técnicos que questionem a integridade de árbitros.
2) Roma e Mourinho: o clube pode voltar a ser cobrado sobre o episódio caso a UEFA reabra processos disciplinares ou amplie programas educacionais.
3) Agenda de Taylor: mesmo após a polêmica, ele permanece no quadro de árbitros de elite e é nome forte para apitar jogos da Euro 2028, sediada no Reino Unido e Irlanda.
Conclusão prospectiva: Ao afirmar que “nenhum erro grave” ocorreu em Budapeste e associar publicamente Mourinho ao clima hostil que se seguiu, Anthony Taylor reposiciona o debate sobre limites de críticas no futebol. A declaração deve reacender discussões em comissões disciplinares da UEFA e servir de termômetro para novas medidas de proteção a árbitros antes da reta final das competições europeias de 2025/26.
Com informações de Corriere dello Sport