Cardiff (País de Gales) — A ex-atacante Helen Ward, segunda maior artilheira da história galesa com 44 gols, afirmou que a participação inédita na Euro Feminina de 2025 deve servir de plataforma para que a seleção de Rhian Wilkinson alcance seu próximo objetivo: classificar-se pela primeira vez à Copa do Mundo de 2027, cujas eliminatórias europeias começam em fevereiro de 2026.
Da Euro ao Mundial: o novo degrau a escalar
Chegar à Suíça já foi considerado “subir a montanha” por atletas e comissão técnica. No entanto, as derrotas para Países Baixos, França e Inglaterra — esta última por 6 × 1 — eliminaram Gales ainda na fase de grupos e fizeram a equipe cair duas posições no ranking da FIFA, agora em 32.º lugar. Para Ward, o topo real “ainda está por alcançar”, e o próximo cume atende pelo nome de Copa do Mundo.
Lições da campanha em solo suíço
Os três reveses expuseram gargalos táticos: fragilidade na proteção da área (sete gols sofridos, sendo quatro até o intervalo dos jogos) e dificuldade para transformar posse de bola em finalizações de alto perigo. Rhian Wilkinson alternou entre 4-3-3 e 4-2-3-1, mas a pressão adversária sobre a primeira fase de construção (especialmente contra a França) forçou lançamentos apressados e perda de compactação, pontos que devem ser endereçados no novo ciclo.
Raio-X da seleção galesa
Ranking FIFA: 30.º antes da Euro → 32.º após o torneio
Campanha na Euro 2025: 0 vitória, 0 empate, 3 derrotas (1 gol marcado, 7 sofridos)
Artilheiras do ciclo: Kayleigh Barton (3), Carrie Jones (2)
Jogadoras com mais minutos: Sophie Ingle (270), Gemma Evans (270)
Agenda de preparação: Austrália e Polônia no horizonte
Gales volta a campo neste mês: encara a Austrália no Cardiff City Stadium em 25 de outubro e recebe a Polônia três dias depois, em Newport. Os amistosos representam o primeiro teste pós-Euro e servem para simular perfis distintos de adversário: as Matildas costumam impor ritmo alto e linhas adiantadas, enquanto as polonesas optam por bloco médio e transição direta.
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Renovação necessária e a gestão de elenco
Alguns pilares estão próximos do fim de carreira. A meio-campista Jess Fishlock, recordista de jogos (38 anos), e a capitã Sophie Ingle (34) podem ter apenas mais um ciclo internacional. A aposentadoria de Kayleigh Barton já abre espaço para jovens como Mary McAteer, aumentando a necessidade de oxigenação no terço final. Wilkinson indicou que novas convocações devem mesclar experiência e atletas Sub-23 para acelerar a transição.
Perspectiva: se corrigir a vulnerabilidade defensiva e aprofundar a rotação de elenco nos amistosos e na Nations League B, Gales chega às Eliminatórias de 2026 competitiva o bastante para brigar por uma das vagas extras abertas pela FIFA no Mundial de 2027. Os próximos seis meses serão decisivos para consolidar conceitos e definir quem liderará a nova fase dentro de campo.
Com informações de BBC Sport