São Paulo, 18 de março de 2026 – Carlo Ancelotti voltou a deixar claro que só levará Neymar ao Mundial de 2026 caso o camisa 10 apresente condições físicas ideais, repetindo, 24 anos depois, a mesma serenidade que Luiz Felipe Scolari demonstrou ao barrar Romário da Copa de 2002, mesmo sob forte pressão popular.
Felipão 2002: quando a convicção falou mais alto
Às vésperas do Mundial da Coreia/Japão, Romário era artilheiro crônico: 162 gols entre 2000 e 2002. Pesquisa Datafolha de fevereiro de 2002 apontava que 61,1 % dos brasileiros queriam o Baixinho na lista. Ainda assim, Felipão bancou a exclusão. O resultado – Penta conquistado com Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho – deu respaldo definitivo à decisão técnica.
O dilema de 2026: qual Neymar chega à Copa?
Desde outubro de 2023, quando rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, Neymar atua pouco. Levantamento do Transfermarkt indica 28 jogos oficiais disputados entre junho de 2023 e março de 2026, com 9 gols marcados. Para Ancelotti, que assumiu a Seleção em 2024, “só convocarei se ele estiver 100 %” tornou-se mantra em todas as entrevistas.
Raio-X comparativo
Romário (2000-2002)
- Gols: 162
- Problemas físicos relevantes: nenhum grave registrado
- Aprovação popular: 61,1 % (Datafolha)
Neymar (2023-2026)
- Gols: 9
- Lesões: ruptura do LCA (2023) e entorse de tornozelo (2025)
- Aprovação popular: sem pesquisa nacional recente; percepção de incerteza
Impacto técnico-tático de uma possível ausência
Caso fique fora, Ancelotti tende a manter o 4-3-3 com variação para 4-2-3-1, usando Rodrygo como falso 9 ou aberto pela direita, Vinícius Júnior na esquerda e Endrick centralizado. A criação entrelinhas passaria a ser dividida por Paquetá e Bruno Guimarães, liberando mais os laterais – provavelmente Yan Couto e Caio Henrique – para gerar superioridade numérica pelos flancos.
Imagem: Internet
Próximos passos até a lista final
A Seleção encara França (26/03), Croácia (31/03) e Panamá (31/05). Ancelotti usará esses amistosos para testar a fluidez ofensiva sem Neymar. A convocação definitiva para a Copa deve sair na primeira quinzena de junho. Até lá, o camisa 10 precisa apresentar sequência de jogos competitivos no Santos e relatórios médicos sem restrições.
Conclusão prospectiva: O histórico mostra que coerência técnica pode se sobrepor ao peso de um ídolo. Se Ancelotti mantiver a linha de 2002, a Seleção chegará ao Mundial com atletas no auge físico, ainda que sem sua maior estrela. A performance nos próximos amistosos será termômetro decisivo para definir se o caminho sem Neymar é viável – e se o exemplo de Felipão voltará a ecoar em 2026.
Com informações de ESPN Brasil