São Paulo, 2026-01-05 – O atacante Facundo Torres, contratado em 2025 pelo Palmeiras como uma das aquisições mais caras da história do clube, encerrou a temporada sem atingir o rendimento projetado pela comissão técnica de Abel Ferreira. O uruguaio de 25 anos, vindo do Orlando City (EUA), alternou entre os lados esquerdo e direito do ataque, mas não se firmou como titular absoluto.
Por que o investimento foi tão alto?
Torres chegou ao Allianz Parque precedido de estatísticas expressivas na Major League Soccer: 26 gols e 15 assistências em 84 partidas disputadas entre 2022 e 2024. Além do desempenho, pesaram na negociação fatores como:
- Idade (25 anos) – margem de revenda futura;
- Passaporte comunitário uruguaio, facilitando eventuais transferências para a Europa;
- Status de convocado regular da seleção celeste.
Segundo relatórios financeiros divulgados à época, a operação total superou a casa dos R$ 90 milhões, incluindo luvas, bônus por performance e comissões.
Adaptação tática e concorrência interna
A princípio, Abel Ferreira escalou o uruguaio aberto pelo lado esquerdo, função que não é a sua preferida. Do lado direito, a vaga era cativa do jovem Estêvão, destaque ofensivo do Verdão em 2025. Mesmo quando Torres foi deslocado para a faixa onde se sente mais confortável, não encontrou sequência: oscilou entre titularidade e banco, atrás de nomes como Rony e Kevin na rotação ofensiva.
Raio-X da temporada 2025 de Facundo Torres
- Jogos disputados: 43 (todas as competições)
- Gols: 6
- Assistências: 4
- Minutos em campo: 2.165
- Média de participações diretas em gol: 0,23 por jogo
- Posições utilizadas: ponta esquerda (62% do tempo), ponta direita (38%)
O índice de participação direta em gols ficou abaixo da marca obtida na MLS (0,49), uma queda de 53% em produtividade ofensiva.
Impacto na construção ofensiva do Palmeiras
O Verdão encerrou 2025 com 63 gols marcados no Brasileirão (média de 1,66 por partida), 17 a menos do que em 2024. A menor colaboração de Torres pesou, sobretudo, nas partidas contra blocos baixos, cenário no qual o time depende de desequilíbrio individual pelos corredores.
Imagem: Cesar Greco
O que muda para 2026?
Em coletiva após o término da temporada, Abel Ferreira colocou Facundo Torres e Ramón Sosa como peças importantes no planejamento de 2026. A expectativa é que o uruguaio dispute a ponta direita em sistema 4-3-3, abrindo possibilidade de inversão para o pé dominante e maior frequência de finalizações de média distância – característica subaproveitada em 2025.
Próximos passos: pré-temporada começará em 10 de janeiro, com amistosos agendados nos EUA. A tendência é que Torres receba carga extra de treinos específicos de finalização e entrosamento com Endrick, principal referência do ataque pós-Rony.
Se conseguir converter a confiança pública de Abel em minutos de qualidade, o camisa 18 tem tudo para transformar o alto investimento em ativo técnico e financeiro. Caso contrário, o Palmeiras terá de recalibrar o plano de minutos e avaliar propostas já na janela do meio do ano, cenário que pode redefinir a estratégia de mercado do clube em 2026.
Com informações de Nosso Palestra