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    Ajuste no regulamento da CBF sobre fair play financeiro pode beneficiar o Vasco

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    Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2025 — A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) finalizou nesta semana o texto-base do seu Fair Play Financeiro, que entra em vigor em 2026, incorporando sugestões de Vasco da Gama e Botafogo. As mudanças aliviam a situação do clube cruz-maltino, ainda em recuperação judicial, e dão mais flexibilidade a investimentos externos defendidos por John Textor, proprietário da SAF alvinegra.

    O que muda no Fair Play da CBF a partir de 2026

    O regulamento aprovado prevê duas frentes principais:

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    • Limite de déficit anual escalonado — O teto de déficit permitido começa em 20% da receita operacional em 2026 e cai progressivamente até 2029.
    • Regras para aporte de capital — Investidores poderão cobrir até 100% do déficit, desde que comprovem origem lícita dos recursos e apresentem plano de equilíbrio financeiro em três anos.

    O modelo brasileiro se distancia do padrão europeu, onde a UEFA limita injeções de capital para equilibrar as contas. A CBF justificou a flexibilização citando a necessidade de “atrair capital, preservar a competitividade e evitar concentração de poder econômico”.

    Por que o Vasco fica de fora das principais restrições

    O Vasco firmou seu plano de recuperação judicial antes de abril de 2026, data-corte para que os clubes se adequem ao novo Fair Play. Pelas cláusulas aprovadas, associações ou SAFs com acordo homologado na Justiça até esse prazo:

    • Não sofrem limitação de folha salarial retroativa.
    • Precisam apenas manter saldo líquido positivo em transferências (vendas – compras) a partir de 2026.
    • Devem apresentar relatórios semestrais de cumprimento de obrigações trabalhistas e fiscais.

    Na prática, o clube de São Januário, que elevou seus gastos com salários em 2024 e 2025, não terá de enxugar a folha imediatamente, desde que continue honrando dívidas renegociadas e registrando superávit em negociações de atletas.

    Investimento externo: o alívio para John Textor e o Botafogo

    Do lado alvinegro, o ponto crucial era a permissão para que capital estrangeiro cubra déficits operacionais. Textor argumentava que o modelo europeu “congela” a ascensão de clubes emergentes. A CBF acatou a sugestão, exigindo somente que o aporte seja:

    • Formalizado via aumento de capital da SAF.
    • Acompanhado de garantias bancárias que cubram 12 meses de folha salarial.

    Isso permite ao Botafogo acelerar projetos de infraestrutura, como o novo centro de treinamento previsto para 2027, sem esbarrar em tetos de investimento.

    Raio-X financeiro de Vasco e Botafogo (temporada 2025)

    • Vasco
      • Receita bruta estimada: R$ 430 milhões*;
      • Folha salarial: R$ 160 milhões*;
      • Dívida consolidada (após RJ): R$ 700 milhões — reduzida em 35% desde 2023.
    • Botafogo
      • Receita bruta estimada: R$ 520 milhões*;
      • Folha salarial: R$ 190 milhões*;
      • Aportes de capital de Textor desde 2022: R$ 550 milhões.

    *Estimativas baseadas nos balanços de 2024 e projeções divulgadas pelos clubes.t

    Próximos passos no calendário da CBF

    Até março de 2026, os clubes devem protocolar na entidade:

    1. Balancetes auditados de 2025.
    2. Planejamento financeiro trienal (2026-2028).
    3. Comprovante de acordo judicial ou renegociação bancária, para quem buscar isenção semelhante à do Vasco.

    A partir de julho de 2026, a CBF terá poder de aplicar sanções graduais — advertência, multa e, em último caso, perda de pontos — para quem descumprir o teto de déficit ou atrasar salários por mais de 60 dias.

    O que esperar para o campeonato de 2026

    Com maior liberdade para captar recursos, o Botafogo tende a manter elenco competitivo e investir em contratações pontuais, enquanto o Vasco focará na manutenção de superávit em transferências e na gestão do fluxo de caixa. Caso cumpram os requisitos, ambos evitam punições e entram na Série A de 2026 sem restrições de registro de atletas, fator que pode alterar a dinâmica da briga pelas primeiras posições.

    Perspectiva: O primeiro ano de Fair Play Financeiro nacional servirá de teste para o modelo da CBF. Se Vasco e Botafogo confirmarem o cumprimento das metas, abrem precedente para outras SAFs pleitearem regras similares, tornando o campeonato mais atrativo a investidores e potencialmente elevando o nível de competitividade do futebol brasileiro.

    Com informações de Netvasco

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