Rio de Janeiro, 24 de abril de 2024 – A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) definiu nesta quarta-feira novas diretrizes para o uso do VAR no Campeonato Carioca de 2026, em reunião na sede da entidade que contou com representantes de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco.
O que mudou no protocolo do VAR
O ponto central aprovado pela FERJ é a paralisação do cronômetro sempre que houver checagem ou revisão de vídeo. A medida tenta compensar o tempo gasto com a análise das imagens e, na prática, promete partidas com tempo efetivo maior sem estender a duração total dos jogos.
Outra inovação é a disponibilização de clipes em até 2 horas após cada jogo, reunindo todos os lances revisados ou considerados polêmicos. O material completo ficará acessível em até 48 horas, permitindo que clubes, imprensa e torcedores revisitem as decisões de arbitragem com transparência.
Pedidos de revisão: “desafio” à espera da FIFA
Cada clube poderá ter até dois pedidos formais de revisão por partida, mecanismo inspirado no “challenge” do futebol americano. O treinador deverá solicitar o recurso entregando um cartão ao quarto árbitro imediatamente após o lance questionado.
O representante do Vasco demonstrou preocupação com eventuais novas paralisações, enquanto Botafogo e Flamengo pediram discussão técnica mais detalhada. A aplicabilidade do sistema depende de autorização da FIFA, responsável por qualquer alteração no protocolo global de arbitragem de vídeo.
RAIO-X: impacto das novas regras – números de 2023 como referência
Para dimensionar o efeito potencial do relógio parado, vale comparar com o Carioca 2023:
- Média de paralisações para VAR: 4,2 por jogo (dados da FERJ).
- Duração média das checagens: 1 min 28 s.
- Tempo adicional médio: 6 min 15 s no 2º tempo.
Se o cronômetro parar nessas situações, o tempo corrido do jogo tende a se manter próximo dos 90 minutos regulamentares, reduzindo a adição excessiva e trazendo mais previsibilidade ao encerramento das partidas.
Imagem: Internet
Transparência e engajamento do torcedor
Ao liberar os lances editados poucas horas depois da rodada, a FERJ atende a uma demanda crescente por transparência na arbitragem. A prática já ocorre em campeonatos como a Premier League, que publica podcasts explicando decisões de VAR, e a CONMEBOL, que divulga diálogos de áudio em competições sul-americanas.
Próximos passos e possíveis ajustes
A adoção definitiva dos pedidos de revisão ainda depende do sinal verde da FIFA, que estuda padronizar o modelo em competições-teste. Enquanto isso, a FERJ deve realizar workshops com árbitros e analistas de vídeo até dezembro de 2025 para simular cenários de aplicação das novas regras.
Os clubes também poderão solicitar ajustes no prazo de divulgação dos clipes, na quantidade de cartões de revisão e na sinalização dentro de campo para comunicar o torcedor presente no estádio.
Perspectiva para o Campeonato Carioca 2026: Se confirmadas, as diretrizes tendem a aumentar o tempo de bola rolando e reduzir a controvérsia sobre arbitragem, fator estratégico para clubes que dependem de ritmo alto ou que recorrem a substituições táticas no fim das partidas. A efetividade das medidas, porém, só será mensurável após as primeiras rodadas do Estadual, quando dados de tempo efetivo, soma de paralisações e volume de revisões poderão ser comparados com temporadas anteriores.
Com informações de NetFla