Porto Alegre (05/10/2025) — Logo após a derrota do Grêmio por 1 a 0 para o Red Bull Bragantino, sábado (4), em Bragança Paulista, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Luciano Hocsman, entrou em contato com o presidente da CBF, Samir Xaud, para pedir uma “reformulação urgente” na arbitragem brasileira, citando a expulsão de Kannemann ainda no primeiro tempo e o pênalti marcado nos acréscimos que definiu o placar.
Por que o jogo virou caso nacional
No confronto válido pelo Brasileirão, o árbitro Lucas Casagrande mostrou cartão vermelho direto para Kannemann aos 37 minutos da etapa inicial, alegando falta temerária. Mesmo com o VAR, a decisão foi mantida. Nos acréscimos, um contato na área gremista resultou em pênalti confirmado após revisão, assegurando a vitória paulista. Para a FGF, a sucessão de lances controversos reforça a necessidade de revisão nos critérios de campo e de vídeo.
Escala contestada: repetição de árbitro e histórico recente
Hocsman relembrou que Casagrande já apitara Grêmio x Mirassol, também marcado por discussões intensas com jogadores tricolores. “A escala poderia ter sido evitada”, afirmou o dirigente, que levou a mesma crítica diretamente a Rodrigo Cintra, coordenador-geral da Comissão de Arbitragem da CBF. Para o presidente da FGF, a recorrência de um árbitro em partidas de um mesmo clube em curto intervalo fere o princípio de equidade e aumenta a pressão externa.
Raio-X da arbitragem no Brasileirão
- Segundo o relatório de desempenho da Comissão de Arbitragem da CBF referente à temporada 2024, 96% das decisões de campo foram confirmadas pelo VAR. Ainda assim, a entidade registrou 42 manifestações formais de clubes questionando lances decisivos.
- Em 2025, até a 28ª rodada, sete árbitros diferentes já foram temporariamente afastados para reciclagem após análises internas — número superior ao total de 2024 (cinco afastamentos).
- Pedidos de audiência: qualquer clube pode protocolar reclamação com vídeos e relatórios no prazo de 48 horas após a partida. Caso a coerência de critérios seja contestada de forma recorrente, a Comissão pode optar por não escalar novamente o árbitro para jogos do reclamante.
O que realmente pode mudar a partir de 2026
A CBF anunciou que o planejamento de calendário para 2026 inclui janela fixa para cursos de atualização de árbitros, adoção de chips em bolas para detecção automática de impedimento milimétrico e centralização das checagens de VAR em um hub unificado no Rio de Janeiro. A demanda da FGF se alinha a essa agenda, mas pressiona por antecipação de parte das medidas já para o segundo turno de 2025.
Impacto para Grêmio e demais clubes
Embora não altere o resultado em Bragança, a movimentação da FGF pode abrir precedente para clubes solicitarem impedimento preventivo de árbitros com histórico recente de polêmicas. Para o Grêmio, que briga por vaga direta na Libertadores, cada ponto é crucial; uma eventual redução de controvérsias tende a diminuir a dispersão emocional do elenco e permitir foco pleno no desempenho técnico.
Imagem: Divulgação FGF
Próximos capítulos: a Comissão de Arbitragem deve analisar o relatório do jogo ainda nesta semana. Caso identifique erro de protocolo, Casagrande pode ser enviado para reciclagem e novas diretrizes de impedimento poderão ser publicadas antes da 30ª rodada. A pressão da FGF, se ganhar adesão de outras federações, pode acelerar a implementação do hub único de VAR já na reta final do campeonato.
Com informações de Portal do Grêmista