Quem: Filipe Luís, ex-lateral do Atlético de Madrid e hoje técnico do Flamengo. O que: relembrou o “banho de bola” tomado do Bayern de Pep Guardiola e confessou ter achado que o campo fora ampliado. Quando e onde: semifinal da Champions League 2015/16, na Allianz Arena, em Munique. Por que importa: o episódio moldou a visão tática do brasileiro, que virou treinador imediatamente após se aposentar.
O “campo gigante” de Guardiola que confundiu Filipe Luís
Em entrevista ao programa de streaming Universo Valdano, Filipe Luís contou que deixou o vestiário da Allianz Arena convencido de que havia algo de irregular: “Eu tinha certeza de que o Guardiola tinha aumentado o tamanho do campo, eles pareciam ter mais jogadores”, relatou ao ex-atacante Jorge Valdano. A sensação veio do domínio bávaro na partida de volta da semifinal da Champions 2015/16. Mesmo vencendo a ida por 1 × 0, o Atlético foi encurralado e só avançou pela regra do gol fora (derrota por 2 × 1 na Alemanha).
Contexto da partida: pressão máxima do Bayern
Aquele jogo marcava a última tentativa de Guardiola de conquistar a Champions pelo Bayern. Na primeira etapa, o time alemão registrou 17 finalizações, 76% de posse e obrigou Jan Oblak a cinco defesas, incluindo um pênalti de Thomas Müller. O gol de Xabi Alonso em cobrança de falta desviada abriu o placar, mas Antoine Griezmann empatou na volta dos vestiários. Robert Lewandowski ainda recolocou o Bayern na frente, porém a equipe precisava de três gols após o empate colchonero. Fernando Torres perdeu um pênalti que poderia ter liquidado a série, mas o 2 × 1 manteve os espanhóis na competição.
Raio-X estatístico da semifinal 2015/16
- Posse de bola (volta): Bayern 72% x 28% Atlético
- Finalizações (volta): Bayern 33 x 7 Atlético (17 x 1 no 1º tempo)
- Defesas dos goleiros: Neuer 2 | Oblak 9
- Confronto agregado: Bayern 2 × 2 Atlético (espanhóis avançaram pelo critério do gol fora)
- Títulos subsequentes: Guardiola só voltaria a vencer a Champions em 2023, pelo Manchester City. O Atlético perdeu a final de 2016 para o Real Madrid nos pênaltis.
Aprendizado de Filipe Luís e reflexo no Flamengo
O ex-lateral revelou que a partida foi “o maior banho de futebol” que recebeu. Já como treinador do Flamengo em 2026, Filipe busca reproduzir alguns princípios observados naquele Bayern: amplitude com pontas abertos, laterais ocupando o meio e sufoco pós-perda. Segundo dados da Série A 2025, o Flamengo de Filipe registrou média de 60% de posse e 13,8 recuperações em zone 3 (campo de ataque), padrões que lembram o pressing de Guardiola.
Imagem: Imago
O que vem pela frente
A fala de Filipe Luís reforça o interesse do técnico em evoluir taticamente a cada temporada. No curto prazo, o Flamengo utiliza a Data FIFA para ajustar a pressão alta e a saída em 3+2, mirando a fase de grupos da Libertadores. Caso consiga replicar a intensidade vista naquele Bayern, o rubro-negro pode ganhar vantagem competitiva em mata-matas, onde cada detalhe — inclusive a “sensação de campo maior” — faz diferença.
Com informações de Trivela