Rio de Janeiro, 28/11/2025 – Às vésperas da final da CONMEBOL Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, marcada para sábado (29) às 18h no Estádio Centenário, três executivos que comandaram a virada financeira dos dois clubes descartaram a possibilidade de “espanholização” do futebol brasileiro, modelo em que apenas dois gigantes dominam títulos e receitas. Em entrevistas à ESPN, Eduardo Bandeira de Mello (presidente rubro-negro entre 2013-2018) e Ricardo Galassi e Luciano Paciello (dirigentes da gestão Paulo Nobre no Palmeiras) analisaram por que a distância atual pode encolher ou crescer a depender da gestão dos demais concorrentes.
O que motiva o debate sobre uma possível “Liga Real Madrid x Barcelona” no Brasil
De 2018 para cá, Flamengo e Palmeiras chegaram a quatro das últimas cinco decisões de Libertadores e somam juntos três títulos continentais no período. No mesmo recorte, as duas equipes alternaram conquistas de Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Supercopa, sustentadas por receitas superiores a R$ 1 bilhão anuais. A sequência levou analistas a questionar se o cenário poderia replicar o domínio histórico de Real Madrid e Barcelona na Espanha.
As vozes dos arquitetos da reconstrução
Eduardo Bandeira de Mello lembrou que, antes da virada financeira flamenguista, o debate envolvia Flamengo e Corinthians: “Se virar espanholização, corre o risco de terminar em germanização, com um clube só ganhando tudo, como o Bayern. Mas o Brasileirão é mais competitivo”.
Ricardo Galassi reforçou a natureza cíclica do campeonato: “Chegar ao topo é difícil e permanecer é ainda mais. Há exemplos de clubes que eram potências há 20 anos e hoje sofrem. Tudo dependerá de como Flamengo, Palmeiras e os demais serão administrados”.
Luciano Paciello citou títulos recentes de Botafogo, Fluminense e Atlético-MG para afastar a tese: “Com SAFs e investimentos, acho pouco provável que apenas dois clubes concentrem as taças”.
Raio-X financeiro: onde Flamengo e Palmeiras se distanciam
Receita bruta 2024 (demonstrativos financeiros)
- Flamengo: R$ 1,22 bilhão
- Palmeiras: R$ 1,10 bilhão
- Corinthians: R$ 980 milhões
- Atlético-MG: R$ 870 milhões
- São Paulo: R$ 630 milhões
Os dois líderes convertem faturamento em elenco: segundo o último balanço da CBF, Flamengo gastou R$ 270 milhões/ano em salários, Palmeiras R$ 245 milhões. O terceiro colocado, Corinthians, ficou em R$ 190 milhões.
Imagem: Internet
Ciclos do Brasileirão indicam alternância competitiva
Dos 20 campeonatos brasileiros disputados entre 2005 e 2024, oito clubes diferentes levantaram a taça. Nenhum venceu mais do que três títulos seguidos no período. O intervalo contrasta com La Liga, onde Real Madrid ou Barcelona conquistaram 16 das últimas 20 edições.
SAFs, ligas e fair play: as variáveis que podem frear ou ampliar a distância
• Modelos SAF: Botafogo, Cruzeiro e Bahia já operam sob gestão de investidores e aumentaram o aporte em contratações.
• Liga Forte União vs. Libra: a negociação coletiva de direitos de TV, prevista para 2026, tende a redistribuir receitas e reduzir assimetrias.
• Fair Play Financeiro da CBF: regulamentado para 2025, limita folha salarial a 70% da receita operacional, o que pressiona clubes a equilibrar contas.
Impacto imediato: Libertadores 2025 como vitrine de poderio técnico e financeiro
A final deste sábado coloca frente a frente elencos avaliados em € 168 milhões (Flamengo) e € 154 milhões (Palmeiras), segundo o site Transfermarkt. Quem vencer somará a quarta taça continental e igualará Independiente Santa Fe e Estudiantes na lista histórica. Além disso, o campeão garante vaga no novo Mundial de Clubes da FIFA, estimado para render US$ 50 milhões em premiação e geração de receita global de marketing.
Perspectiva: rivalidade sustentável ou ponto fora da curva?
Os depoimentos convergem em um ponto: a eventual “espanholização” dependerá menos da força de Flamengo e Palmeiras, já estabelecida, e mais da capacidade dos outros dez grandes clubes nacionais – e das novas SAFs – de copiar práticas de governança, controle de gastos e criação de receitas. A implementação do fair play financeiro e o novo modelo de venda de direitos de transmissão serão os termômetros até 2030. Até lá, a final de Montevidéu serve como um lembrete de que, no campo, a distância ainda pode ser encurtada a cada temporada.
Com informações de ESPN Brasil