LIMA (PER), 29/11/2025 — Flamengo e Palmeiras decidem hoje, às 18h (de Brasília), a CONMEBOL Libertadores no Estádio Nacional. A mesma dupla que domina as receitas e os títulos no país esteve, em 2013, mergulhada em dívidas e atrasos salariais. O que mudou em apenas 12 anos para transformá-los em finalistas e candidatos ao primeiro tetracampeonato brasileiro do torneio continental? A resposta passa por gestão, cortes drásticos e reposicionamento de mercado.
2013: o fundo do poço revelado em números
Quando Paulo Nobre assumiu o Palmeiras e Eduardo Bandeira de Mello chegou ao Flamengo, o cenário era quase idêntico:
- Flamengo: dívida aproximada de R$ 800 milhões e faturamento pouco acima de R$ 200 milhões.
- Palmeiras: passivo contábil de R$ 542 milhões, sem crédito bancário e com atrasos até em contas básicas.
Além do rombo financeiro, a credibilidade estava destruída. O Rubro-Negro precisou devolver Vagner Love ao CSKA; o Verdão liberou Hernán Barcos ao Grêmio em troca de cinco atletas — um deles, Marcelo Moreno, sequer aceitou se transferir.
Choque de gestão: cortar custos antes de sonhar alto
Ambas as diretorias iniciaram a mesma trilha:
- Renegociação de dívidas com bancos, governo e fornecedores.
- Congelamento da folha salarial enquanto o fluxo de caixa não se equilibrasse.
- Transparência nos balanços, fator que recuperou a confiança de patrocinadores e do mercado.
O impacto foi sentido dentro de campo, mas os torcedores colheram as primeiras recompensas já em 2013 (Copa do Brasil para o Flamengo, acesso à Série A para o Palmeiras) — conquistas que amorteceram a pressão política e permitiram manter o plano de longo prazo.
Parcerias e contratações cirúrgicas: a virada esportiva
A partir de 2015 os dois clubes voltaram a investir, mas de forma seletiva:
- Palmeiras: parceria com a Crefisa financiou a chegada de Dudu e Zé Roberto, peças-chave na Copa do Brasil-2015 e no Brasileirão-2016.
- Flamengo: trouxe Paolo Guerrero (2015), Diego Ribas (2016) e, em 2017, Diego Alves e Everton Ribeiro — a espinha do elenco campeão da Libertadores-2019 e 2022.
Raio-X financeiro e esportivo (2013 → 2024)
| Palmeiras | Flamengo | |
|---|---|---|
| Dívida em 2013 | R$ 542 mi | ≈ R$ 800 mi |
| Receita líquida 2024* | ≈ R$ 1,1 bi | ≈ R$ 1,3 bi |
| Títulos de expressão 2015-2024 | 2x Brasileirão, 3x Libertadores, 2x Copa do Brasil | 2x Brasileirão, 2x Libertadores, 2x Copa do Brasil |
*Dados extraídos dos balanços publicados pelos clubes.
Imagem: Internet
Impacto imediato: o que está em jogo nesta final
Quem erguer a taça em Lima alcançará o primeiro tetracampeonato brasileiro da história da Libertadores, superando Santos, Grêmio, São Paulo e o próprio Cruzeiro, todos com três títulos. Além disso:
- Financeiro: o campeão embolsa US$ 23 milhões extras em premiação e direitos de TV.
- Mundial de Clubes 2025: a vaga vale lugar no novo formato com 32 equipes da FIFA.
- Mercado: a vitrine aumenta o valor de atletas como Endrick (Palmeiras) e Victor Hugo (Flamengo), jovens monitorados por clubes europeus.
O que esperar a partir de 2026
Com receitas estáveis acima da marca do bilhão, ambas as diretorias planejam:
- Investir em ativos próprios — o Flamengo acelera o projeto de estádio no Gasômetro; o Palmeiras expande a Academia de Futebol II em Cajamar.
- Internacionalização de marca via parcerias nos EUA e na Ásia.
- Base como prioridade para manter a folha competitiva frente à valorização do euro e do dólar.
Em campo, a expectativa é de que o duelo particular entre cariocas e paulistas continue a direcionar contratações e estratégias dos demais clubes da Série A, forçando o restante do mercado a elevar padrões de gestão.
Conclusão: A final desta noite simboliza o ponto alto de um ciclo iniciado a contragosto em 2013 e executado com rigor financeiro. Independentemente do vencedor, o roteiro de Flamengo e Palmeiras deixa um modelo claro: equilíbrio contábil, credibilidade e investimento progressivo podem transformar passivos bilionários em hegemonia esportiva. O próximo capítulo começa já em 2026, quando ambos precisarão renovar elencos sem abdicar de sustentabilidade — a maratona continua.
Com informações de ESPN Brasil