Rio de Janeiro, 07/05/2024 — Em reunião do Conselho Deliberativo realizada nesta terça-feira (07), o Flamengo apresentou o chamado “Cenário 6” para a Libra (Liga do Futebol Brasileiro), buscando diminuir o prejuízo estimado em R$ 103 milhões para R$ 50 milhões na distribuição dos direitos de transmissão.
Por dentro do Cenário 6: o que muda na divisão das cotas
O modelo proposto pelo Flamengo altera percentuais de repasse e cria um ajuste fino na parcela variável por desempenho. A projeção interna aponta:
- Flamengo: +R$ 53 milhões
- Grêmio: +R$ 6 milhões
- São Paulo: +R$ 2 milhões
- Santos: –R$ 28 milhões
- Vitória: –R$ 15 milhões
- Bragantino: –R$ 11 milhões
- Bahia: –R$ 7 milhões
- Palmeiras: –R$ 1 milhão
- Atlético-MG: –R$ 1 milhão
Por que o Flamengo pressiona por revisão?
Desde a assinatura inicial da Libra, o Rubro-Negro alega que as bases de cálculo adotadas subestimam o peso de sua audiência e de seu desempenho esportivo recente. Segundo o balanço financeiro de 2022, o Flamengo arrecadou aproximadamente R$ 278 milhões em direitos de TV, valor 27 % superior à média dos demais integrantes da Libra. A diretoria, liderada por Rodrigo Dunshee de Abranches (Bap), entende que o teto previsto no acordo atual limita o crescimento dessa receita.
Raio-X da discussão: como a Libra distribui o dinheiro hoje?
O formato vigente segue o critério 40-30-30 — 40 % iguais, 30 % por performance esportiva e 30 % por engajamento/mídia. Pelo “Cenário 6”, o Flamengo sugere deslocar parte dos 40 % iguais para a fatia de engajamento, onde lidera métricas de audiência e redes sociais.
Impacto potencial para os demais clubes da Liga
A redistribuição seria quase neutra para Palmeiras e Atlético-MG (perda de R$ 1 milhão cada), porém afetaria clubes de mercado médio, caso de Santos, Vitória e Bragantino. A divergência amplia a tensão em torno da criação da liga unificada, já que a Liga Forte Futebol (LFF), bloco concorrente, observa de perto qualquer sinal de desalinhamento interno na Libra.
Próximos passos: prazo apertado e pressão externa
A Libra trabalha com o objetivo de fechar um contrato-guarda-chuva de TV até o fim do primeiro semestre — antes de possíveis mudanças na Lei Geral do Esporte. Caso o “Cenário 6” não avance, o Flamengo pode intensificar conversas paralelas com players do streaming, usando sua elevada base de torcedores (42 milhões, segundo o Datafolha) como argumento de mercado.
Imagem: Internet
Dentro de campo: foco no clássico contra o Botafogo
Enquanto a novela dos direitos de TV segue nos bastidores, o elenco rubro-negro prepara-se para enfrentar o Botafogo no dia 15 de outubro, às 19h30, no Engenhão, pela 28ª rodada do Brasileirão. O duelo tem transmissão do Premiere, e a equipe do técnico Tite busca se aproximar do G-4 para garantir cota extra de premiação, fator que também entra no cálculo de receitas de mídia.
Conclusão prospectiva: A aceitação ou não do “Cenário 6” indicará o poder de barganha do Flamengo dentro da Libra e pode servir de baliza para a repartição de até R$ 4 bilhões projetados no próximo ciclo de direitos. Caso o impasse persista, o mercado pode assistir a novos movimentos estratégicos, incluindo alianças surpresa ou até mesmo a reabertura de negociações com a LFF, cenário que manterá o tema direitos de transmissão no topo da pauta nas semanas seguintes.
Com informações de NetFla