Rio de Janeiro (RJ) – Logo após a vitória por 3 × 0 sobre o Atlético-MG, no Maracanã, o técnico Luis Zubeldía foi questionado sobre a possibilidade de escalar Paulo Henrique Ganso e Lucho Acosta juntos no time titular do Fluminense. O argentino citou a experiência do compatriota Alejandro Sabella na Copa de 2014 para ilustrar a dificuldade de manter equilíbrio tático com dois camisas 10 ao mesmo tempo, mas não descartou testar a formação “em algum momento”.
O dilema dos dois armadores
Zubeldía recuperou uma conversa com Sabella, então treinador da seleção argentina, sobre como encaixar Messi, Agüero e Higuaín sem perder organização defensiva. O paralelo serve para o Fluminense porque Ganso e Lucho ocupam zonas parecidas do campo: baixa intensidade na recomposição, mas alto poder de criatividade entrelinhas. O técnico tricolor reconhece que, para funcionar, a equipe precisaria de ajustes estruturais, sobretudo na cobertura dos volantes e na pressão pós-perda.
Raio-X do meio-campo tricolor
- Ganso – 34 anos, 23 jogos em 2024, 2 gols e 4 assistências. É o líder de passes para finalização da equipe (2,1 por jogo segundo o Sofascore).
- Lucho Acosta – 30 anos, recém-chegado do FC Cincinnati, ainda sem estrear como titular. Na MLS 2023 anotou 17 gols e 14 assistências, sendo eleito MVP da temporada.
- Setor defensivo – Antes da chegada de Zubeldía, o Fluminense sofria média de 1,8 gol por jogo no Brasileirão; nos três confrontos com o novo treinador, caiu para 0,66.
Como a dupla poderia ser encaixada
Os cenários mais prováveis envolvem mudanças de sistema:
4-3-1-2 “losango” – Ganso como vértice recuado (regista) e Lucho mais perto dos atacantes. Exigiria volantes de grande mobilidade — papel que André e Alexsander podem cumprir quando ambos estiverem 100% fisicamente.
3-4-2-1 – Mantém três zagueiros, libera laterais/alas e posiciona os dois armadores atrás do centroavante, reduzindo a necessidade de retorno constante. Foi assim que Sabella equilibrou Messi e Agüero em 2014.
Imagem: Internet
Impacto na sequência da temporada
Com três jogos de invencibilidade sob Zubeldía, o Fluminense tenta sair da parte baixa da tabela do Brasileirão e, ao mesmo tempo, se preparar para as oitavas da Libertadores. A eventual utilização simultânea de Ganso e Lucho ampliaria o poder de criação em jogos de posse, mas exige sessões de treino específicas para minimizar eventuais buracos na transição defensiva. O adversário imediato é o Mirassol, pela Copa do Brasil, partida na qual Lucho deve ganhar mais minutos e Ganso será poupado por suspensão — o que adia o teste definitivo da dupla.
Conclusão – A declaração de Zubeldía não fecha a porta para ver Ganso e Lucho juntos; ela apenas ressalta que a decisão depende de dados de desempenho coletivo e do equilíbrio sem bola. Caso as sessões táticas confirmem boa cobertura dos volantes, o torcedor poderá testemunhar dois camisas 10 dividindo a responsabilidade criativa já nas próximas rodadas, cenário que pode redefinir o modelo de posse do Fluminense na reta decisiva do ano.
Com informações de Netflu