LONDRES (07/10/2025) – Em participação no podcast “Rio Ferdinand Presents”, Steven Gerrard classificou a chamada “geração dourada” da seleção inglesa como um grupo de “egotistical losers” (perdedores movidos pelo ego). O ex-capitão do Liverpool revelou que a convivência em concentrações entre 2000 e 2006 era marcada por panelinhas formadas por jogadores de Liverpool, Manchester United e Chelsea, fator que, segundo ele, impediu o time de transformar talento em títulos.
Como o clima interno sabotou o potencial de uma era
Gerrard, que vestiu a camisa da Inglaterra 114 vezes entre 2000 e 2014, contou que “odiava” períodos de seleção porque se sentia isolado em quartos de hotel e pouco integrado aos colegas. “Não éramos um time, nunca ficávamos juntos”, disse o ex-meia, citando nomes como Rio Ferdinand, Paul Scholes, Frank Lampard e John Terry, que formavam grupos fechados segundo a origem clubística.
Raio-X da “geração dourada” (2002-2006)
Presença em grandes torneios:
- Copa do Mundo 2002 – quartas de final (eliminação para o Brasil por 2 x 1)
- Euro 2004 – quartas de final (derrota nos pênaltis para Portugal)
- Copa do Mundo 2006 – quartas de final (nova queda nos pênaltis contra Portugal)
Números coletivos:
- Aproveitamento geral em jogos oficiais (2002-2006): 60,8%*
- Gols sofridos nos três torneios: 9 em 16 partidas (média 0,56/jogo)
- Gols marcados: 24 (média 1,5/jogo)
*dados de partidas Fifa
Tática travada: o dilema Gerrard-Lampard-Scholes
Além do ambiente, Gerrard aponta falhas sistêmicas: o 4-4-2 utilizado pelo então técnico Sven-Göran Eriksson comprimiu três meias ofensivos de origem (Gerrard, Lampard, Scholes) em apenas duas vagas centrais, sem um volante marcador de ofício. O resultado foi desequilíbrio entre linhas e dificuldade para controlar jogos decisivos, algo que apareceu nas eliminatórias por pênaltis em 2004 e 2006.
Imagem: Internet
Lição para a geração atual
Ao expor os bastidores, o antigo capitão reforça a importância de gestão de grupo. Desde 2018, a seleção comandada por Gareth Southgate investe em psicologia, atividades coletivas e integração entre clubes – práticas que ajudaram o time a chegar às semifinais da Copa 2018 e à final da Euro 2020. A fala de Gerrard serve como alerta para que o ciclo rumo à Copa 2026 não repita os erros do passado.
Próximo capítulo: Gerrard no banco de reservas?
O ex-meia também admitiu “negócios inacabados” na carreira de treinador. Após passagem frustrante pelo Aston Villa (2021-2022) e saída do Al-Ettifaq em janeiro, ele é cotado para retornar ao Rangers, onde conquistou o Campeonato Escocês invicto em 2020/21. Caso aceite o desafio, levará para o vestiário a experiência – e as cicatrizes – dos dias em que o ego falou mais alto que o coletivo.
Resumo prospectivo: Ao expor as rachaduras internas da Inglaterra dos anos 2000, Steven Gerrard reabre um debate crucial sobre cultura de alto rendimento. Sua análise reforça que, além da tática, a gestão de egos pode ser determinante para o sucesso em 2026 – seja na seleção inglesa ou em um futuro clube sob seu comando.
Com informações de The Guardian