Porto Alegre, 22 de outubro de 2025 – O presidente do Vila Nova, Hugo Jorge, cobrou publicamente o Grêmio por ainda não ter repassado à Tombense – e, por consequência, ao próprio Vila – a parte que lhes cabe na venda do atacante Everton Galdino ao FC Tokyo, fechada por cerca de US$ 1,2 milhão (R$ 7,4 milhões, valores da época).
Entenda a origem da pendência financeira
O modelo de negócios de vários clubes brasileiros prevê que os direitos econômicos de um mesmo atleta sejam fracionados. No caso de Galdino, Tombense detinha a maior fatia do passe e o Vila Nova possuía um percentual menor, acordado quando o atacante passou pelo time goiano. O Grêmio, clube vendedor, recebeu o valor integral do FC Tokyo e deveria repassar aos parceiros segundo contrato.
Segundo Hugo Jorge, o repasse não ocorreu, travando a cadeia de pagamentos e deixando o Vila Nova sem cerca de R$ 500 mil. Até o momento, o Grêmio não se manifestou oficialmente.
Impacto nas finanças de clubes formadores
Para equipes de médio e pequeno porte, a receita proveniente da venda de atletas – mesmo em percentuais modestos – costuma representar verbas essenciais para folha salarial, categorias de base e reforços. Sem o repasse, a Tombense perde capacidade de honrar compromissos imediatos, e o Vila Nova adia projetos de investimento em elenco e estrutura.
Raio-X da transferência de Everton Galdino
Valor total da negociação: US$ 1,2 milhão (≈ R$ 7,4 mi)
Percentual esperado pelo Vila Nova: ≈ R$ 500 mil (valor informado pelo clube)
Clube comprador: FC Tokyo (Japão)
Data do acordo: 2025 (sem mês exato divulgado)
Imagem: Lucas Uebel
Situação atual do repasse: pagamento retido pelo Grêmio, segundo denúncias de Hugo Jorge
Cenário regulatório e precedentes
A FIFA e a CBF exigem transparência nos repasses de transferências internacionais, mas a fiscalização prática depende de registros e da boa-fé contratual entre as partes. Processos semelhantes já geraram transfer bans e bloqueios de receitas em casos extremos, quando clubes não cumpriram obrigações financeiras com terceiros.
O que pode acontecer a seguir?
Se o impasse persistir, Tombense ou Vila Nova podem:
- Acionar a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF, pedindo bloqueio de receitas futuras do Grêmio.
- Recorrer à FIFA, considerando tratar-se de transferência internacional.
- Negociar acordo extrajudicial para acelerar o fluxo de caixa, evitando sanções desportivas e jurídicas.
Para o Grêmio, resolver o débito evita risco de punições e preserva a reputação em futuras negociações de mercado. Já Vila Nova e Tombense aguardam os valores para fechar o orçamento de 2025 e planejar a próxima janela de transferências.
Análise de impacto futuro: a regularização do pagamento deve ocorrer nas próximas semanas, pressionada por possíveis sanções federativas. Caso o atraso se prolongue, o Grêmio poderá ter receitas bloqueadas, enquanto Vila Nova e Tombense precisarão rever planejamentos esportivos e financeiros para 2026.
Com informações de Portal do Grêmio