Porto Alegre (22.set.2025) — A retirada de Marcelo Marques da disputa pela presidência do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense recolocou o pleito em terreno imprevisível. Agora, os holofotes se voltam para Antônio Dutra Júnior, Paulo Caleffi e Dênis Abrahão, nomes que concentram o maior capital político no Conselho Deliberativo e entre os sócios.
Por que a saída de Marcelo Marques muda o tabuleiro?
Marques confirmou que não irá “colocar o nome na urna”, mas não descartou apoiar Dutra Júnior. Caso essa aliança se concretize, a chapa de Dutra pode herdar parte dos conselheiros e do grupo empresarial que orbitava o ex-pré-candidato, elevando seu potencial de votos na primeira fase da eleição (restrita ao Conselho) e, posteriormente, no colégio de cerca de 70 mil associados aptos.
Do outro lado, Dênis Abrahão vinha defendendo publicamente o nome de Marques. Sem o aliado, Abrahão avalia retomar a candidatura própria, o que fracionaria ainda mais a base de oposição à atual gestão.
Cenários de alianças e possíveis desfechos
Antônio Dutra Júnior: pode ganhar musculatura se absorver o grupo de Marques.
Paulo Caleffi: havia deixado a corrida após o anúncio da compra da gestão da Arena, mas dirigentes o pressionam a voltar para representar a continuidade do projeto do estádio.
Dênis Abrahão: tende a confirmar candidatura se perceber que Dutra não selou acordo com Marques.
Gladimir Chiele e Sérgio Canozzi: seguem como pré-candidatos de nicho; podem virar fiéis da balança em eventuais composições.
Raio-X dos pré-candidatos
- Dutra Júnior – Conselheiro desde 2007; ligado ao setor financeiro do clube nas gestões Duda Kroeff e Romildo Bolzan.
- Caleffi – Ex-vice de futebol; atuou na reestruturação jurídica do caso Arena em 2024.
- Abrahão – Vice-presidente de futebol no acesso à Série A em 2022; reconhecido pela comunicação direta com o torcedor.
- Chiele – Economista; defende profissionalização total da base.
- Canozzi – Empresário; bandeira principal é ampliar a representatividade dos sócios do interior.
O que está em jogo para o Grêmio
Arena: a gestão do estádio passa a ser 100 % do clube em 2025; o próximo presidente terá de negociar naming rights e calendário de shows.
Finanças: o orçamento projetado para 2026 gira em torno de R$ 800 milhões, com 55 % direcionados ao futebol profissional.
Planejamento Esportivo: o elenco que disputará a temporada 2026 precisará de reposições na zaga e nas pontas — setores que somaram 34 gols sofridos e apenas 11 marcados em 2025.
Imagem: Internet
Calendário eleitoral e próximos passos
• Até 30.set — prazo para registro de chapas no Conselho.
• 06.out — debate obrigatório entre candidatos transmitido pelo Grêmio TV.
• 23.out — votação no Conselho Deliberativo; passam as três mais votadas.
• 09.nov — eleição direta com todos os sócios adimplentes.
Impacto futuro: A definição do apoio de Marcelo Marques — ou sua neutralidade — será o gatilho que faltava para os grupos fecharem alianças e estruturarem a campanha de sócios. Sem esse alinhamento, o Grêmio corre o risco de chegar à fase decisiva com mais de três chapas, cenário que, historicamente, pulveriza votos e pode levar a um presidente eleito com margem reduzida, dificultando governabilidade no triênio 2026-2028.
Com informações de Portal do Gremista