Porto Alegre (22.out.2025) — O candidato à presidência do Grêmio Paulo Caleffi anunciou que, caso vença a eleição do clube, disputará o Campeonato Gaúcho de 2026 com jogadores das categorias Sub-17 e Sub-20. A medida, explicada em entrevista ao jornalista Alex Bagé e à Rádio Imortal, pretende liberar o elenco profissional para uma pré-temporada estendida, focada exclusivamente no Campeonato Brasileiro.
Por que abrir mão do estadual?
O calendário da CBF costuma iniciar o Brasileirão em abril, enquanto o Gauchão ocupa as primeiras 10 a 12 semanas do ano. Ao abdicar dos titulares nesse período, o Grêmio poderia:
- Realizar uma pré-temporada de seis a oito semanas, semelhante às equipes europeias.
- Focar em ganho físico — o clube encerrou o Brasileirão 2025 com média de 1,6 lesão muscular por rodada, segundo o departamento médico gremista.
- Trabalhar conceitos táticos com maior carga de treinos, algo difícil durante partidas em ritmo de decisão.
Nesse cenário, o estadual vira laboratório para avaliar jovens em ambiente competitivo, sem comprometer pontos na Série A.
Evolução recente da base tricolor
Caleffi citou a geração que foi vice-campeã brasileira Sub-17 em 2025, superada nos pênaltis pelo Atlético-MG, como a mais promissora desde 2017. Naquele ano surgiram alicerces como Jean Pyerre, Matheus Henrique e Ferreira. Agora, nomes como Bruno Bettiol (volante) e Gabriel Silva (atacante) despontam com média de 0,55 participação em gol por jogo na categoria.
Raio-X — números da base do Grêmio
- Minutos de pratas da casa no elenco principal em 2025: 18% do total, segundo levantamento interno do clube.
- Gols marcados pela base (S17 + S20) em competições nacionais 2025: 97 em 46 jogos (média 2,1).
- Títulos recentes: Copa do Brasil Sub-20 (2022), Copa FGF Sub-19 (2023) e vice do Brasileiro Sub-17 (2025).
Histórico de uso da transição no Grêmio
O clube já recorreu a essa estratégia em 2019, quando uma equipe de transição disputou parte do Gauchão enquanto o elenco principal priorizava a Libertadores. A campanha terminou com semifinal estadual e eventual título da Copa do Brasil, evidenciando que focar em torneios nacionais pode render frutos esportivos e financeiros.
Impacto na montagem do elenco profissional para 2026
Uma pré-temporada mais longa permitiria ao treinador — seja ele quem for — implantar modelo de jogo de maneira integral, realizar amistosos internacionais e minimizar lesões crônicas. Além disso, a diretoria ganharia tempo para negociações no mercado, ajustando a folha salarial e evitando contratações de urgência.
Imagem: Lucas Uebel
Calendário projetado para 2026
Janeiro-março: Gauchão com Sub-17/20;
Fevereiro: Fase preliminar da Copa do Brasil (caso o clube participe) — avaliação de jovens em jogos eliminatórios;
Março-abril: Pré-temporada do elenco principal, incluindo amistosos;
A partir de abril: Brasileirão, fases avançadas da Copa do Brasil e competições continentais (se classificado).
O que vem pela frente?
A proposta de Paulo Caleffi coloca a formação de atletas no centro da estratégia esportiva e pode redefinir a relação do Grêmio com o Campeonato Gaúcho. Se eleito, o desafio será equilibrar a pressão por títulos locais com a necessidade de evoluir fisicamente e taticamente para a Série A.
Conclusão: Ao apostar na base para o Gauchão 2026, o Grêmio pode lapidar talentos e, ao mesmo tempo, preparar um elenco principal mais competitivo nacionalmente. Os desdobramentos dessa decisão ganharão forma já no planejamento de pré-temporada de 2025/26, tornando o pleito presidencial determinante para o calendário tricolor dos próximos anos.
Com informações de Portal do Gremista