Porto Alegre – Grêmio e Internacional intensificaram, em março de 2026, a busca por um novo patrocinador máster e já negociam ampliar de quatro para até seis marcas expostas nas camisas na temporada 2026, estratégia desenhada para compensar a retração nos valores pagos pelo mercado de apostas esportivas.
Panorama atual: quatro marcas já ocupam o uniforme
Os dois clubes gaúchos exibem hoje o mesmo número de patrocinadores:
- Grêmio: Banrisul (costas), Unimed (costas inferiores), Havan (mangas) e Coral (frente).
- Internacional: Banrisul (frente), Cigame (barra), Unimed (costas) e KNN Idiomas (mangas). A Lojas Renner entrou de forma pontual nas finais do Gauchão.
O espaço central — a propriedade de maior valor comercial — segue vago em ambos os uniformes e é o foco das atuais negociações.
Por que dividir o uniforme em mais cotas?
A partir de 2023, as casas de apostas on-line impulsionaram os valores de patrocínio no futebol brasileiro. Em 2025, quase 70% dos clubes da Série A tinham uma empresa de betting como máster. Entretanto, segundo levantamento da consultoria Global Sports Value, o tíquete médio pago por essas plataformas recuou cerca de 35% em 2026, reflexo de:
- Maior competição entre clubes por um número limitado de operadores dispostos a investir;
- Regulamentação federal que aumentou a carga tributária sobre o setor;
- Redirecionamento de verbas das casas para campanhas de mídia digital.
Diante desse cenário, Grêmio e Inter avaliam que somar vários contratos médios pode igualar (ou até superar) a receita que antes viria de um único acordo premium.
Novas propriedades mapeadas
Além das áreas tradicionais (peito, costas superiores, costas inferiores e mangas), os departamentos comerciais estudam liberar:
- Ombros – visíveis em transmissões de TV fechada;
- Barra frontal – aproveitando a tendência de camisas mais “cleanas” apenas na região do escudo;
- Calção – já usual em torneios sul-americanos, mas pouco explorado nos estaduais.
Raio-X financeiro dos atuais contratos
Dados divulgados em balanços de 2025 e entrevistas recentes permitem estimar* a ordem de grandeza dos acordos ativos:
Imagem: Divulgação
| Clube | Patrocinador | Propriedade | Valor anual estimado (R$ mi) |
|---|---|---|---|
| Grêmio | Banrisul | Costas superiores | 7,0 |
| Grêmio | Havan | Mangas | 5,0 |
| Inter | Banrisul | Frente provisória | 8,0 |
| Inter | Cigame | Barra traseira | 4,0 |
*valores aproximados, a partir de fontes públicas e mercado.
Impacto esportivo: por que a receita de marketing pesa na bola?
Com direitos de TV praticamente estáveis, patrocínios representam de 20% a 25% do faturamento operacional de Grêmio e Inter. Manter (ou elevar) essa fatia é crucial para sustentar:
- Folha salarial competitiva — cada R$ 1 milhão mensal cobre, em média, 4% da folha do elenco gremista de 2025;
- Política de contratações — reforços como Soteldo (Inter/2025) e Pavón (Grêmio/2024) custaram cerca de R$ 30 milhões em luvas, pagos com parte da verba de marketing;
- Base e infraestrutura — o CT de Eldorado do Sul, do Inter, consome R$ 2,5 milhões anuais em manutenção.
Próximos passos e cronograma
Os departamentos de marketing trabalham com três marcos:
- Abril-maio/2026: finalizar o layout da camisa 2026/27 junto à fornecedora;
- Até julho/2026: fechar o patrocínio máster para lançamento antes do início da Série A 2026;
- Setembro/2026: revisar performance de entrega de mídia dos atuais parceiros e abrir espaço para novos anunciantes na reta final da temporada.
Perspectiva: Se a estratégia de multiplicar cotas vingar, tanto Grêmio quanto Internacional podem manter a arrecadação próxima à de 2025, mesmo sem um contrato máster de valores recordes. Entretanto, o aumento de logotipos exige equilíbrio estético e reforço de compliance para evitar conflitos de categoria — novos desafios para os departamentos de marketing em 2026.
Com informações de Portal do Gremista