Porto Alegre (29/12/2025) — O Grêmio inicia a pré-temporada de 2026 sob pressão extra-campo: o clube tem valores de luvas em atraso com Balbuena, Gustavo Cuéllar, Jemerson, Tiago Volpi e Gustavo Nunes, revelam documentos internos confirmados pelo Portal do Gremista. A direção corre contra o tempo para regularizar os pagamentos e evitar novos desgastes no vestiário.
Como a dívida se formou e por que preocupa
Os atrasos decorrem principalmente de luvas pactuadas durante contratações ou renovações feitas entre 2024 e 2025. Embora salários estejam em dia, as parcelas de luvas — que funcionam como bônus de assinatura — não foram quitadas nos prazos contratuais. Esse descasamento afeta o cash flow do clube e alimenta a percepção de fragilidade da gestão financeira, ainda marcada por reflexos do déficit de R$ 74,6 milhões divulgado no último balanço patrimonial.
Raio-X das pendências
- Balbuena (zagueiro, 34 anos) — contratado para substituir Kannemann, tem cerca de R$ 3,5 milhões em luvas pendentes.
- Gustavo Cuéllar (volante, 33 anos) — referência de marcação; falta o repasse de R$ 2,8 milhões referentes à última parcela de assinatura.
- Jemerson (zagueiro, 33 anos) — chegou com status de titular; aguarda aproximadamente R$ 2,3 milhões.
- Tiago Volpi (goleiro, 35 anos) — contratado após passagem pelo Toluca; tem R$ 1,7 milhão a receber.
- Gustavo Nunes (atacante, 20 anos) — vendido ao Brentford-ING por € 8 milhões; o clube ainda não repassou a ele 20% de bônus previstos em cláusula de vitrine.
*Valores estimados conforme apuração do mercado — o clube não divulga cifras oficiais.
Impacto no vestiário e na performance
Historicamente, atrasos de premiações e luvas impactam indicadores de engajamento interno. De acordo com estudo da CBF Academy, equipes com passivos salariais superiores a 60 dias têm queda média de 12% no índice de aproveitamento nos três meses seguintes. Embora as pendências atuais não incluam salários, a incerteza pode afetar concentração e motivação, especialmente em atletas veteranos que projetam encerrar a carreira em estabilidade financeira.
Consequências contratuais e risco jurídico
O artigo 31 da Lei Pelé permite ao jogador rescindir unilateralmente se houver atraso igual ou superior a três meses — prazo que, oficialmente, ainda não foi alcançado. No entanto, ações trabalhistas por descumprimento de cláusulas acessórias (como luvas) costumam resultar em bloqueios judiciais de receitas de TV e patrocínio, tal qual ocorreu em 2023 com o Santos. Evitar esse cenário é prioridade para o departamento jurídico gremista.
O que a direção planeja
A diretoria trabalha em três frentes para equacionar a situação:
Imagem: Lucas Uebel
- Receita extraordinária — antecipação de cotas de transmissão do Campeonato Brasileiro 2026, estimada em R$ 24 milhões.
- Renegociação individual — proposta de novo cronograma de pagamento das luvas, atrelado a metas de desempenho e classificação em torneios.
- Corte de custos operacionais — redução de 8% na folha do departamento de futebol, com provável empréstimo de atletas da base nesta janela.
Calendário apertado aumenta urgência
O Grêmio estreia no Campeonato Gaúcho em 18 de janeiro e na Libertadores já em 5 de fevereiro (fase preliminar). Qualquer ruído interno pode comprometer o entrosamento de uma defesa remodelada, que terá Balbuena e Jemerson como dupla titular — justamente dois dos atletas com valores a receber.
Perspectiva: resolver as pendências nas próximas três semanas tende a ser decisivo para manter o elenco focado e evitar ações judiciais que correria risco de bloquear receitas de bilheteria e direitos internacionais. A forma como o Grêmio equacionar essa crise financeira pode definir não apenas o início de 2026, mas também seu poder de atração em futuras janelas de transferência.
Com informações de Portal do Gremista