Caxias do Sul (RS), 21.fev.2026 – O Grêmio levou, pela primeira vez, a psicóloga esportiva Marisa Santiago para acompanhar a delegação no jogo de volta das quartas de final do Campeonato Gaúcho contra o Juventude, na Serra Gaúcha. Contratada há cerca de um mês, a profissional com passagem recente pela Seleção Brasileira foi incluída na viagem após aval do técnico Luís Castro, numa tentativa de fortalecer o controle emocional fora de casa e acelerar respostas a cenários adversos durante a partida.
Por que o Grêmio aposta na psicologia agora?
O departamento de futebol identificou que, em jogos longe da Arena, o time apresenta variação de rendimento e menor capacidade de reagir a gols sofridos cedo – um ponto crítico em confrontos eliminatórios. Com calendário apertado, a comissão entende que desgaste mental passou a ter peso semelhante ao físico. Incluir a psicóloga na rotina de viagens serve para:
- Melhorar o foco em ambientes hostis, típicos do interior gaúcho;
- Desenvolver estratégias individuais de autocontrole para atletas jovens do elenco;
- Aumentar a velocidade de recuperação emocional após erros ou decisões de arbitragem.
Quem é Marisa Santiago
Com formação em Psicologia e especialização em Esporte de Alto Rendimento, Marisa trabalhou em clubes das Séries A e B e integrou a comissão da Seleção Brasileira em amistosos de 2024. No período, recebeu elogios públicos do atacante Richarlison, que citou “ganho de confiança e clareza de objetivos” após sessões individuais. Sua experiência inclui:
- Acompanhamento diário em centros de treinamento, com foco em tomada de decisão sob pressão;
- Protocolos de mindfulness e visualização de cenários de jogo;
- Orientação a comissão técnica sobre linguagem e feedback durante partidas.
Raio-X da pressão fora de casa
Últimas três temporadas (dados de competições nacionais e estaduais):
- Maior diferença de aproveitamento entre casa e fora: +24 pontos percentuais;
- 70% dos cartões vermelhos sofridos ocorreram como visitante;
- Tempo médio para reagir a um gol sofrido fora de casa: 31 minutos (em casa, 18).
Os indicadores apontam dificuldade não apenas tática, mas de gestão de emoções, sobretudo em partidas decisivas com torcida adversária. A presença de uma psicóloga full-time tende a encurtar esse intervalo de reação e favorecer tomadas de decisão mais racionais.
Integração com a comissão técnica
Segundo fontes internas, Luís Castro solicitou que as reuniões pré-jogo passem a ter um bloco dedicado às estratégias mentais, alinhando mensagens táticas ao preparo psicológico. A medida aumenta a adesão do elenco, que agora vê a profissional como parte orgânica do staff, e não apenas em sessões isoladas no CT.
Imagem: Rafael Ribeiro
Impacto futuro: o que pode mudar para 2026
Com Libertadores no horizonte e a reta final do Gauchão servindo de laboratório, a tendência é que o Grêmio:
- Mantenha a profissional em todas as viagens de competições nacionais e internacionais;
- Crie métricas internas de “performance cognitiva” para monitorar concentração e resiliência;
- Amplie o trabalho para categorias de base, formando jogadores já habituados a protocolos psicológicos.
A curto prazo, a expectativa é reduzir oscilações como visitante e elevar o nível de competitividade em jogos de mata-mata, onde a margem de erro é mínima.
Conclusão: A inclusão de Marisa Santiago na delegação simboliza uma virada de chave na preparação do Grêmio. Se o ganho emocional se refletir em campo, o clube pode não apenas avançar no Gauchão, mas chegar às competições continentais de 2026 com um diferencial raramente explorado no futebol brasileiro: preparo mental estruturado e integrado ao plano de jogo.
Com informações de Portal do Gremista