Manchester (17/03/2026) – O Manchester City de Pep Guardiola voltou a ficar pelo caminho na Champions League. Depois de perder por 2 a 1 para o Real Madrid no Etihad Stadium e encerrar o confronto das oitavas com 5 a 1 contra, o clube inglês soma a terceira eliminação seguida diante do mesmo rival e mantém, desde 2022/23, o único título europeu de sua história.
Por que a queda de 2025/26 pesa mais
A eliminação atual veio num contexto de favoritismo: classificação direta na fase de grupos, elenco mais caro do torneio e um Real Madrid sem Kylian Mbappé e Rodrygo. Ainda assim, os merengues construíram 3 a 0 no Bernabéu (hat-trick de Fede Valverde) e administraram a vantagem em Manchester. O revés amplia a pressão interna sobre Guardiola, cujo contrato vai até junho de 2027 – prazo que pode se tornar a “última janela” para novo troféu continental.
Campanhas de Guardiola na Champions pelo City
- 2016/17: oitavas – Monaco
- 2017/18: quartas – Liverpool
- 2018/19: quartas – Tottenham
- 2019/20: quartas – Lyon
- 2020/21: final – Chelsea
- 2021/22: semifinal – Real Madrid
- 2022/23: campeão – sobre a Inter de Milão
- 2023/24: quartas – Real Madrid
- 2024/25: playoffs – Real Madrid
- 2025/26: oitavas – Real Madrid
Raio-X: supremacia doméstica versus lacuna europeia
Títulos ingleses (2016-2025): 6 Premier Leagues, 4 Copas da Liga, 2 FA Cups.
Média de pontos na Premier: 90,1 por temporada.
Saldo de gols nos últimos 5 torneios nacionais: +310.
Na Champions: 1 título, 1 vice, 8 eliminações em fases de mata-mata (75% de queda antes da final).
Os números ilustram a dicotomia: performance consistente em 38 rodadas, mas instabilidade em confrontos decisivos de 180 minutos. Nas quatro eliminações para o Real Madrid (2021/22 a 2025/26), o City sofreu 11 gols e marcou 6, mesmo superando o rival em posse (62% média) e finalizações (17,3 por jogo).
Fatores táticos que explicam a estagnação
1. Transição defensiva exposta: a linha alta de Guardiola sofre contra contragolpes rápidos – especialidade madridista com Valverde, Vinícius Jr. e Mbappé (quando disponível).
2. Rotação de elenco em remodelação: saídas de Gundogan, Mahrez e Walker ainda não foram compensadas integralmente, exigindo de Kevin De Bruyne e Haaland minutos excessivos na sequência da temporada.
3. Ajustes de meio-campo: a tentativa de usar laterais interiores (Stones, Akanji) amplia o controle da bola, mas reduz cobertura quando perde a posse.
Impacto futuro: 2026/27 como “ano decisivo”
Guardiola já sinalizou busca por reforços em todas as linhas. O zagueiro Marc Guehi chegou para oferecer velocidade de recuperação, e Antoine Semenyo adiciona profundidade ofensiva. No curto prazo, o City disputa a final da Copa da Liga contra o Arsenal, quartas de FA Cup diante do Liverpool e segue vivo na corrida pela Premier. Porém, dentro do City Football Group, a palavra-chave passa a ser “segunda Champions” – objetivo que, se não vier até 2027, pode encerrar o ciclo de uma década do treinador em Manchester.
Imagem: Lee Keuneke
No cenário europeu, rivais diretos como Real Madrid, Bayern de Munique e Paris Saint-Germain já planejam novas contratações de peso para o próximo verão. Enquanto isso, o City precisará equilibrar renovação de elenco, gestão física de suas estrelas e ajustes na transição defensiva para transformar domínio doméstico em hegemonia continental.
Conclusão prospectiva: a temporada 2026/27 promete ser o divisor de águas para o projeto Guardiola no Etihad. Repetir o roteiro de eliminações pode acelerar uma mudança no comando; romper a barreira significará validar o investimento de dez anos e, finalmente, aproximar-se do patamar histórico que o Real Madrid ostenta na Champions.
Com informações de Trivela