Londres, 5 de março de 2026 — A International Football Association Board (IFAB) confirmou que a temporada 2026/27 da Superliga Feminina da Inglaterra (WSL) servirá de laboratório para uma regra que visa cortar a “cera” de goleiros e goleiras. Sempre que a arqueira precisar de atendimento em campo, um atleta de linha da mesma equipe terá de permanecer fora do gramado por 1 minuto, medida inédita que busca inibir lesões estratégicas e pausas táticas disfarçadas.
Por que a IFAB age agora?
O tema voltou aos holofotes após o técnico do Brighton, Fabian Hürzeler, acusar o Arsenal de usar a artimanha na vitória por 1 × 0 no Amex Stadium (4/3). Segundo o alemão, o goleiro David Raya “caiu três vezes” somente para permitir conversas técnicas. Casos semelhantes envolveram Daniel Farke (Leeds) e, no futebol feminino, a zagueira Dominique Janssen admitiu que Phallon Tullis-Joyce, do Manchester United, simulou queda para reorganizar o time. A repetição desses episódios convenceu a IFAB de que a lacuna no regulamento precisava ser fechada.
Como funcionará o teste na WSL
• Atendimento à goleira — árbitro chama o departamento médico.
• Imediatamente, uma jogadora de linha da mesma equipe deve deixar o campo.
• Cronômetro de 60 s inicia no momento em que a bola volta a rolar.
• A atleta pode reentrar assim que o minuto terminar, após autorização do quarto árbitro.
A IFAB ainda discute quem escolherá a jogadora a ser retirada: o treinador ou a própria arbitragem. Atualmente, um jogador de linha que recebe atendimento já precisa ficar 30 s fora; a FIFA estuda padronizar esse intervalo para 1 minuto. O objetivo é equiparar o tratamento dado a goleiros e atletas de linha, eliminando a vantagem tática gerada pela pausa.
Raio-X: o tempo de bola rolando sob pressão
• Média de bola em jogo na WSL 2024/25: 53 min 12 s (Opta).
• Premier League 2024/25: 54 min 56 s.
• Estimativa da IFAB: até 3 minutos por partida são consumidos por “contusões” de goleiros.
• Na Premier League 2023/24, as paralisações com arqueiros representaram 7 % do tempo total parado (Board Annual Report).
Ao reduzir essas pausas, a entidade espera elevar o tempo efetivo de jogo para a casa dos 56–57 min, alinhando-se às metas traçadas para 2027.
Reações dos técnicos e casos recentes
Fabian Hürzeler (Brighton) — “Só uma equipe tentou jogar futebol hoje… tem que haver um limite, e ele precisa ser definido pelos árbitros”.
Daniel Farke (Leeds) — em novembro, criticou suposta simulação de Gianluigi Donnarumma no Manchester City e pediu mudanças “urgentes”.
Imagem: Paul Terry
Emma Hayes, então no Chelsea, e integrantes de Arsenal e Manchester United também já trocaram farpas sobre o tema na WSL, evidenciando que a prática não é isolada a um clube.
O que pode mudar no futebol de elite
Se o experimento reduzir de forma mensurável o tempo de paralisação, a IFAB pretende levar a proposta às competições masculinas de elite. A Premier League monitora o projeto e poderá integrá-lo em 2027/28, ano em que outras inovações (como o tempo corrido nos acréscimos) também estão em pauta. Para os clubes, a adaptação exigirá:
• Preparar goleiros para manter intensidade sem recorrer a quedas.
• Planejar instruções táticas em situações de bola parada legítimas (tiros de meta, laterais).
• Ajustar o condicionamento físico, já que pausas artificiais devem diminuir.
No curto prazo, a medida tende a impactar diretamente times que utilizam pressão alta e valorizam ritmo constante — qualquer pausa extra favorecia a reorganização do adversário. Agora, cada queda terá custo numérico imediato, tornando a simulação menos atraente.
Conclusão prospectiva: O sucesso ou fracasso deste teste na WSL servirá como barômetro para a adoção global da regra. Se os relatórios mostrarem redução consistente nas paralisações e aumento do tempo de bola rolando, a Premier League e outras grandes ligas dificilmente resistirão à mudança, o que pode alterar a dinâmica estratégica da posição de goleiro já a partir de 2027.
Com informações de Trivela