São Paulo — 16/01/2026, 23h35. O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou na noite desta sexta-feira (16) o impeachment do presidente Julio Casares, 64 anos, em sessão híbrida realizada no Morumbis. Por 188 votos a 45 (além de dois em branco), o mandatário foi afastado de forma imediata. Agora, o clube terá até 30 dias para convocar uma Assembleia Geral que reunirá os sócios e definirá, por maioria simples, se Casares é definitivamente destituído.
Entenda a votação e o que acontece em seguida
A votação ocorreu de forma presencial e online, após decisão judicial que contrariou proposta inicial do clube de restringir o pleito ao formato presencial. O resultado cumpre o Artigo 112 do Estatuto Social, que exige, como primeira etapa, o aval de 2/3 dos conselheiros presentes para abrir processo de impeachment. A próxima fase será a Assembleia Geral dos Sócios, na qual basta a maioria dos votos válidos para confirmar a saída definitiva de Casares.
Quem assume o comando: perfil de Harry Massis Júnior
Conforme o Estatuto, o vice-presidente Harry Massis Júnior, 80 anos, assume imediatamente e pode permanecer até dezembro de 2026, fim do atual mandato. Sócio desde 1964 e conselheiro vitalício, Massis já exerceu funções no departamento de futebol (2001-2002) e na área administrativa (1992-1993). Sua missão inicial será conduzir o clube até a Assembleia e garantir a continuidade operacional em meio à pré-temporada de 2026.
Raio-X da gestão Julio Casares (2021-2026)
- Títulos conquistados: Copa do Brasil 2023 (inédita) e Paulista 2021.
- Resultados esportivos: participação na CONMEBOL Libertadores em 2024 e 2025; média de 59% de aproveitamento em pontos corridos do Brasileirão (2021-2025).
- Finanças: Dívida bruta recuou de R$ 689 milhões (balanço 2020) para R$ 572 milhões (balanço 2024), segundo demonstrativos publicados pelo clube. A receita anual subiu de R$ 487 milhões para R$ 665 milhões no mesmo período, impulsionada por acordos de mídia e premiações.
- Arena Morumbis: 82% de taxa média de ocupação em 2025, com ticket médio nos jogos da Série A próximo de R$ 62.
Os pontos-chave das investigações
O pedido de impeachment, protocolado pelo grupo “Salve o Tricolor Paulista”, baseia-se nos artigos 63, 79 e 112 do Estatuto devido a:
- Depósitos em espécie: R$ 1,5 milhão creditados na conta pessoal de Casares entre jan/2023 e mai/2025, segundo relatório do COAF.
- Saques no clube: 35 retiradas em dinheiro somando R$ 11 milhões (2021-2025).
- Irregularidades em camarotes: suspeita de venda paralela de ingressos para shows no Morumbis, envolvendo ex-diretores Mara Casares e Douglas Schwartzmann.
- Desvio na base: investigação sobre possível esquema de intermediação na venda de atletas iniciado em 2021.
- Inquérito do MP-SP: apura indícios de gestão temerária, favorecimento de terceiros e uso indevido de benefícios fiscais.
Impacto direto no departamento de futebol
O afastamento ocorre a poucas semanas da abertura da janela internacional de transferências (1º de fevereiro). Entre os efeitos práticos:
- Orçamento de reforços: a previsão era investir R$ 50 milhões sem vendas de atletas; o valor pode ser revisto pelo interino Harry Massis.
- Renovações: negociações com titulares cujos contratos vencem em dezembro de 2026 podem sofrer atraso, pois qualquer acordo acima de 24 meses precisa de aval do presidente.
- Comissão técnica: a atual pré-temporada segue programada para Cotia até 28/01, mas viagens para amistosos internacionais dependem de liberação de verba já contingenciada.
Cenário político e possíveis desfechos
Se os sócios confirmarem o impeachment, Massis Júnior conclui o mandato e o clube só volta às urnas em dezembro de 2026. Caso a destituição seja rejeitada, Casares reassume imediatamente, mas a investigação criminal prossegue em paralelo. A proximidade do centenário do clube, em 2030, e a necessidade de captação para obras de modernização do Morumbis tornam a estabilidade institucional um fator crítico para atrair patrocinadores de médio prazo.
Imagem: Internet
Próximos passos: o Conselho Deliberativo deve publicar o edital da Assembleia nos próximos dias, e a expectativa é de que a votação ocorra antes do início do Campeonato Paulista, previsto para 30 de janeiro. Até lá, o núcleo de futebol mantém a rotina, mas o mercado observa de perto qualquer sinal de retração orçamentária — especialmente clubes interessados em jovens formados em Cotia.
O São Paulo entra, portanto, em um período decisivo que combina pré-temporada, janela de transferências e julgamento político. O resultado da Assembleia Geral determinará não apenas quem senta na cadeira presidencial, mas também o fôlego financeiro e a narrativa institucional que o Tricolor carregará para a temporada 2026.
Com informações de ESPN Brasil