Rio de Janeiro (RJ) – A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou que o impedimento semiautomático, fornecido pela inglesa Genius Sports, não estará disponível em todos os estádios na estreia do Brasileirão 2026, marcada para 28 de janeiro. Por enquanto, apenas o Maracanã – palco de Fluminense x Grêmio na 1ª rodada – tem a instalação garantida.
Por que a tecnologia não ficará pronta a tempo?
Segundo Harry Lennard, diretor de arbitragem da Genius Sports e ex-assistente da Premier League, o sistema exige um “processo rígido de instalação, teste e validação” que não pode ser comprimido em poucas semanas. O contrato com a CBF foi assinado em novembro de 2025, deixando pouco mais de dois meses para equipar as 20 arenas da Série A.
Como funciona o impedimento semiautomático
A tecnologia utiliza, no mínimo, 28 câmeras de alta frequência posicionadas ao redor do campo. Elas criam um modelo 3D do jogo em tempo real, rastreando 29 pontos de cada jogador e a trajetória da bola. Quando um atacante recebe o passe em posição duvidosa, o sistema gera automaticamente o frame e a linha de impedimento para o VAR, que só precisa confirmar a decisão.
Raio-X da ferramenta
- Redução de tempo: na Premier League, o tempo médio para checar impedimentos caiu de 70s para 48s (–31%).
- Precisão: a margem de erro da ferramenta é inferior a 3 cm, segundo a FIFA.
- Estreias sul-americanas: finais da Libertadores e Sul-Americana 2025, além da final do Paulistão 2025.
- Pré-requisito CBF: só será ativada quando todos os 20 estádios tiverem o pacote completo de câmeras e fibra óptica homologados.
Cronograma de instalação nos estádios
A Genius Sports trabalha em lotes. O Maracanã servirá como projeto-piloto. Na sequência, estão previstas intervenções na Neo Química Arena, Mineirão e Allianz Parque. Clubes que utilizam arenas multiuso, como Castelão e Arena Fonte Nova, terão janelas de instalação nos intervalos entre shows e jogos.
Impacto tático e competitivo
A expectativa é que a redução no tempo de revisão diminua interrupções prolongadas, favorecendo equipes que apostam em ritmo alto e transições rápidas. Em 2025, por exemplo, 22% dos gols anulados no Brasileirão ocorreram após checagens de impedimento que excederam 60 segundos, segundo dados da equipe de arbitragem da CBF.
O que muda para árbitros e VAR
Com a linha virtual gerada automaticamente, o operador de vídeo deixa de “construir” o impedimento manualmente, liberando foco para faltas anteriores à jogada. A cabine passa a assumir um papel de verificação, não de criação, alinhando-se ao protocolo FIFA usado em Copas do Mundo.
Imagem: Internet
Quando o torcedor verá a novidade em ação?
A CBF sinaliza internamente que a tecnologia poderá ser ativada a partir da 5ª ou 6ª rodada, caso todos os estádios cumpram os testes de homologação. Enquanto isso, o VAR tradicional segue operando normalmente, sem o suporte 3D.
Próximos passos: se o cronograma for cumprido, o primeiro turno deve terminar com o sistema ativo em 100% das partidas, abrindo caminho para que o returno seja disputado já no novo padrão. O desempenho do projeto no Brasil também servirá de vitrine para outras ligas sul-americanas que negociam a adoção da ferramenta.
Com informações de ESPN Brasil