Porto Alegre (RS), 18 de setembro de 2025 – A Polícia Civil concluiu o inquérito que apurava o ataque ao ônibus do Grêmio no Aeroporto Internacional Salgado Filho e indiciou 11 torcedores por crimes que vão de ameaça a associação criminosa. O processo, agora, será analisado pela Promotoria de Justiça do Torcedor e Grandes Eventos, que poderá oferecer denúncia ao Ministério Público, transformando os acusados em réus.
O que diz o inquérito policial
De acordo com a delegada Roberta Bertoldo, responsável pelo caso, as imagens de segurança revelaram a participação de 44 pessoas na emboscada realizada em 16 de agosto. O grupo invadiu a área restrita do aeroporto e lançou objetos contra o ônibus tricolor, ferindo um dos seguranças do clube. O Instituto Geral de Perícias (IGP) confirmou a identidade de oito suspeitos por impressões digitais, enquanto outros três foram reconhecidos por videomonitoramento.
Perfil dos indiciados
Entre os 11 torcedores identificados, quatro já possuíam antecedentes criminais – incluindo registros de roubo, furto, porte irregular de arma de fogo e histórico de tumultos em estádios. Um deles é apontado como o articulador da ação e mantém vínculos com torcida organizada. Todos seguem em liberdade, e a polícia não divulgou seus nomes oficialmente.
Posicionamento do Grêmio e possíveis desdobramentos internos
O clube informou que três dos suspeitos já estão suspensos de frequentar jogos na Arena. O Quadro Social do Grêmio analisará os demais nomes assim que receber a lista oficial da Polícia Civil; caso algum seja sócio, a suspensão será imediata, seguindo o regulamento interno.
Raio-X da violência envolvendo torcidas no futebol brasileiro
- 97 ocorrências de violência em estádios ou arredores foram relatadas à CBF em 2024, segundo dados do Departamento de Competições.
- O Grêmio figura com 5 registros de ocorrências no mesmo período, a maioria relacionada a confrontos entre torcidas organizadas.
- Na Série A de 2023, 23,8% das punições aplicadas pelo STJD envolveram casos de arremesso de objetos ou invasão de área restrita.
Impacto potencial para o clube: esportivo, financeiro e de imagem
Embora o ataque tenha acontecido fora de um ambiente de jogo, o caso será observado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e pela CBF. Dependendo da gravidade atribuída às condutas, o Grêmio pode enfrentar:
Imagem: reprodução
- Multas previstas no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que variam de R$100 a R$100 mil;
- Perca de mando de campo, caso se comprove relação direta entre os indiciados e o quadro associativo do clube;
- Danos à reputação, que incidem em perda de receitas de matchday e patrocínios.
Cenário futuro: o que vem a seguir?
Com o inquérito finalizado, o Ministério Público decide agora se transforma os indiciados em réus. Caso a denúncia seja aceita, o processo criminal avançará em paralelo às instâncias esportivas. Para o Grêmio, monitorar as ações do MP e colaborar com autoridades serão passos-chave para mitigar riscos de punições e preservar a imagem do clube em um momento crucial da temporada.
O desfecho jurídico tende a se estender pelos próximos meses, período em que a diretoria precisará equilibrar atenções entre o campeonato em andamento e a adoção de medidas preventivas – como reforço de segurança e campanhas de conscientização – para evitar novos incidentes.
Com informações de Portal do Gremista