Londres, 15 de fevereiro de 2025 — Nenhum dos seis representantes da Premier League venceu a partida de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões, mas o técnico do Liverpool, Arne Slot, pediu cautela antes de apontar causas definitivas para o desempenho abaixo do esperado.
O que aconteceu?
Na última semana, os ingleses somaram três derrotas e três empates:
- Galatasaray 1×0 Liverpool
- Bayer Leverkusen 1×1 Arsenal
- Newcastle 1×1 Barcelona
- Paris Saint-Germain 5×2 Chelsea
- Atlético de Madrid 5×2 Tottenham
- Real Madrid 3×0 Manchester City
É a segunda vez em três temporadas (a anterior foi 2022/23) que nenhum clube inglês triunfa no primeiro duelo das oitavas.
Por que ainda não é hora de “condenar” a Premier League?
Segundo Slot, a amostragem de um único jogo não permite avaliar a competitividade da liga nem apontar o calendário como vilão absoluto.
O treinador destacou que:
- Quatro dos seis ingleses atuaram fora de casa, condição que historicamente reduz a probabilidade de vitória na Champions (apenas 26% dos visitantes venceram nesta fase entre 2014 e 2024, segundo a UEFA).
- Os confrontos envolvem adversários de alto nível — PSG, Real Madrid e Barcelona, por exemplo, estão no top-5 do ranking de coeficiente de clubes da UEFA.
- Uma eliminação ou classificação só será selada na soma dos 180 minutos, e o retrospecto recente indica reação: em 2022/23, Chelsea e Manchester City avançaram mesmo após não vencerem na ida.
Calendário apertado X pausa de inverno: peso real ou desculpa?
A Premier League é a única entre as cinco grandes ligas da Europa sem pausa oficial de inverno. Entre dezembro e janeiro, os clubes ingleses jogaram em média oito vezes, enquanto:
- Bundesliga: recesso de 18 dias;
- Ligue 1: recesso de 14 dias;
- La Liga: recesso de 11 dias;
- Série A: pausa parcial de 10 dias.
Slot afirma que a sobrecarga pode influenciar, mas não explica sozinha o revés coletivo. De fato, estudos da CIES Football Observatory mostram queda de 6% no índice de sprints dos jogadores ingleses em fevereiro, mas também revelam que City, Liverpool e Arsenal lideram a Champions em minutos de posse no terço final — sinal de que intensidade ainda existe.
Raio-X das campanhas inglesas 2024/25
| Clube | Pontos na fase de grupos | Gols marcados | Gols sofridos |
|---|---|---|---|
| Manchester City | 15 | 18 | 5 |
| Arsenal | 13 | 12 | 4 |
| Liverpool | 12 | 14 | 7 |
| Chelsea | 10 | 11 | 9 |
| Tottenham | 10 | 9 | 8 |
| Newcastle | 9 | 8 | 10 |
O que cada time precisa no jogo de volta?
Liverpool – Vencer por dois gols de diferença em Anfield ou devolver 1×0 para levar à prorrogação. A equipe marca em média 2,3 gols por jogo em casa na temporada.
Arsenal – Qualquer vitória simples no Emirates garante vaga. Os Gunners têm 83% de aproveitamento como mandante em 2024/25.
Imagem: Internet
Newcastle – Empate com dois ou mais gols ou triunfo simples no Camp Nou. O setor que mais preocupa é a defesa: média de 1,6 gol sofrido fora de casa.
Chelsea e Tottenham – Precisam reverter desvantagens de três gols. Apenas três vezes na história um time conseguiu tal façanha na Champions; a última foi o Barcelona sobre o Paris Saint-Germain em 2017.
Manchester City – Necessita de vitória por quatro gols diante do Real Madrid no Etihad. Os Citizens têm o segundo melhor ataque da competição (2,6 gols/jogo), mas enfrentarão a equipe com melhor defesa (0,6 gol/jogo).
Próximas datas e implicações para o calendário doméstico
Os duelos de volta acontecem entre 25 e 26 de fevereiro. No fim de semana anterior, Liverpool encara o Manchester United pela Premier League, enquanto City visita o Aston Villa, outro candidato ao G-4. O gerenciamento de elenco nessas rodadas será decisivo, sobretudo para clubes que ainda disputam a FA Cup.
Se confirmada a eliminação maciça de representantes ingleses, a Premier League corre risco de perder posições no ranking da UEFA, o que impactaria o número de vagas diretas na Champions a partir de 2026/27. Em contrapartida, uma reação manteria a liga no topo do coeficiente e reforçaria o argumento de Slot de que a primeira mão foi apenas “uma fotografia desfavorável”.
Perspectiva: As partidas de volta serão termômetro não apenas para o futuro dos seis clubes na Europa, mas também para o debate recorrente sobre a necessidade (ou não) de uma pausa de inverno na Inglaterra. O desempenho em Anfield, Emirates e Etihad pode redefinir a narrativa de crise ou confirmar o alerta: a Premier League precisa rever seu calendário para brigar de igual para igual no continente.
Com informações de BBC Sport