Quem: Joleon Lescott, ex-zagueiro de Manchester City e seleção inglesa.
O quê: revelou ter sido orientado a não frequentar algumas regiões de Atenas enquanto defendia o AEK Athens.
Quando: declaração feita no programa “In The Mixer”, publicado nesta semana; episódio remete à temporada 2016/17, sua única na Grécia.
Onde: Atenas, cidade que abriga AEK, Olympiacos e Panathinaikos.
Por quê: a intensa rivalidade local, vista pelos gregos quase como religião, gera divisões territoriais entre as torcidas.
A rivalidade que ultrapassa as quatro linhas
Segundo Lescott, havia orientações claras do clube sobre onde morar, comer ou simplesmente circular na capital grega. AEK, Olympiacos e Panathinaikos formam o chamado “Big 3” do país, cujas torcidas mantêm identidades históricas vinculadas a bairros específicos: Nea Filadélfia (AEK), Pireu (Olympiacos) e Oaka/Ambelokipi (Panathinaikos). Para jogadores estrangeiros, não respeitar esses limites pode resultar em hostilidade fora dos estádios — algo impensável, nas palavras do zagueiro, no ambiente que conhecia em Manchester.
Lescott no AEK: grandes expectativas, apenas quatro partidas
Contratado em agosto de 2016 após rescindir com o Aston Villa, o campeão inglês de 2011/12 assinou por duas temporadas, mas disputou somente 4 jogos oficiais pelo AEK. Uma lesão no joelho sofrida ainda no primeiro mês de competição reduziu sua participação e culminou no fim antecipado do vínculo em novembro do mesmo ano. Lescott encerraria a carreira poucos meses depois, no Sunderland.
Raio-X do defensor inglês
Perfil: 43 anos, 1,88 m, canhoto.
Premier League: 324 jogos (Wolverhampton, Everton, Manchester City, West Brom, Aston Villa), 18 gols.
Imagem: In The Mixer
Títulos principais: 2 Premier League, 1 FA Cup, 2 Copas da Liga (todos pelo Manchester City).
AEK Athens 2016/17: 4 jogos, 0 gol, 360 minutos em campo.
Pressão imediata: o técnico líder que caiu após um clássico
Lescott relatou ainda um episódio que ilustra a ferocidade do futebol grego: o AEK era líder da Super League quando perdeu o clássico contra o Olympiacos. Mesmo no topo da tabela e uma semana antes da data-Fifa, o treinador foi demitido. O fato reflete o “estilo Marinakis” de gestão citado pelo ex-jogador — referência a Evangelos Marinakis, proprietário do Olympiacos e do Nottingham Forest. Para Lescott, a cobrança pública e constante é parte da cultura local e molda decisões esportivas de curto prazo.
O que muda para jogadores e clubes sob a ótica de 2024
O depoimento chama atenção em meio à expansão de multiclub ownership na Europa, modelo em que empresários controlam mais de uma equipe em ligas diferentes, como faz Marinakis. A tendência amplia o intercâmbio de atletas, mas também expõe profissionais a contextos socioculturais menos conhecidos. Clubes que desejam contratar na Grécia — ou enviar atletas para empréstimo — precisam considerar:
- Adaptação fora de campo: suporte a moradia e segurança impacta rendimento.
- Estabilidade técnica: trocas de treinador podem ocorrer mesmo com bom desempenho, alterando planos de desenvolvimento do elenco.
- Gestão de imagem: declarações públicas de dirigentes, comuns no país, influenciam a percepção do atleta e a repercussão em outros mercados.
Conclusão prospectiva: O relato de Lescott reforça que métricas de desempenho não se limitam a minutos jogados ou gols evitados; variáveis culturais e territoriais também pesam. Para clubes ingleses que compartilham proprietários com gregos — caso de Nottingham Forest e Olympiacos —, compreender essas nuances será crucial na próxima janela de transferências para garantir adaptação rápida e retorno técnico.
Com informações de Manchester Evening News