Lisboa, 18 de setembro de 2024 – O Benfica oficializou nesta quarta-feira a contratação de José Mourinho para comandar a equipe principal, menos de 24 horas depois da demissão de Bruno Lage, consumada na sequência da derrota por 3 a 2 para o Qarabag pela fase preliminar da Champions League. O regresso do treinador de 62 anos acontece 25 anos após sua primeira passagem pela Luz e em meio ao processo eleitoral que definirá o próximo presidente do clube em 25 de outubro.
Por que agora? Entenda o contexto da volta
Ao anunciar Mourinho, o presidente Rui Costa justificou a escolha afirmando que “o perfil do treinador do Benfica precisa ser vencedor”. A declaração reflete a necessidade imediata de resposta esportiva após a eliminação europeia e a pressão de um mandato em que apenas um título nacional foi conquistado nos últimos quatro anos.
Para Mourinho, o regresso representa a oportunidade de reinserir-se na elite continental depois de passagens por Roma e Fenerbahçe – onde, apesar de um aproveitamento de 71,1 %, perdeu a liga turca para o Galatasaray e foi demitido após cair justamente diante do Benfica na pré-Champions.
Retrospecto vencedor de Mourinho
Em 25 anos de carreira, o “Special One” acumulou:
- 2 Champions League (Porto 2004, Inter 2010)
- 1 UEFA Cup / Europa League (Porto 2003)
- 1 Europa League (Manchester United 2017)
- 1 Conference League (Roma 2022)
- 8 títulos nacionais em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha
O último troféu de liga, contudo, data de 2015, com o Chelsea. Desde então, sua reputação foi marcada por ciclos curtos e conflitos internos, fatores que adicionam risco à aposta encarnada.
Impacto tático esperado no Benfica
Historicamente adepto do 4-2-3-1/4-3-3 compacto, Mourinho tende a fortalecer a organização defensiva – setor que sofreu três gols diante do Qarabag e terminou a temporada passada como a terceira defesa menos vazada, mas propensa a falhas em transições. A chegada do técnico pode significar:
- Reforço da dupla de volantes com perfil destrutivo para proteger a zaga.
- Maior utilização de laterais mais baixos, liberando extremos para ataques rápidos.
- Valorização de atacantes de referência física, papel hoje dividido entre Arthur Cabral e Marcos Leonardo.
Raio-X: números que explicam a escolha
Aproveitamento recente de Mourinho em ligas nacionais
| Clube | Período | Jogos | Vitórias | % Vitórias |
|---|---|---|---|---|
| Fenerbahçe | 2023-24 | 34 | 24 | 71,1 % |
| Roma | 2021-23 | 76 | 37 | 48,7 % |
| Tottenham | 2019-21 | 58 | 27 | 46,5 % |
Situação do Benfica em 2024/25*
Imagem: Internet
- Primeira Liga: 4º lugar (10 pts em 5 jogos)
- Gols sofridos: 7 (média 1,4/jogo)
- Eliminado da Champions na 3ª pré-eliminatória
*Dados oficiais até a rodada anterior à chegada de Mourinho.
Dimensão política: eleição torna a escolha mais sensível
Pesquisas de TV local apontam Rui Costa em segundo lugar entre seis candidatos. Rivais afirmam que a contratação é “eleitoreira”, já que um eventual novo presidente herdaria um treinador com salário elevado e contrato longo. Para Mourinho, a instabilidade institucional pode comprometer recursos para reforços no mercado de inverno.
O que vem pela frente
O técnico estreia no próximo fim de semana contra o Arouca, fora de casa, antes de confrontos diretos com Braga (liga) e Sporting (Taça da Liga). A expectativa interna é de que os primeiros 10 jogos definam não só a posição do time na tabela, mas também o capital político de Rui Costa nas urnas.
Conclusão prospectiva: Com um currículo inigualável e um histórico recente de oscilações, José Mourinho chega ao Benfica em um momento que exige resultados imediatos em campo e estabilidade fora dele. O desempenho nas próximas semanas indicará se o “Special One” ainda pode ser o diferencial competitivo que o clube busca ou se a aposta se transformará em mais um capítulo turbulento na história da Luz.
Com informações de BBC Sport