Manchester (ING), 18/09/2025 – Ídolo máximo da década de ouro do Manchester City, Kevin De Bruyne reencontra o Etihad Stadium nesta quinta-feira (18), agora como adversário, e desperta uma inevitável viagem no tempo: dos passes milimétricos ao icônico “let me talk”, seus 422 jogos em azul-celeste condensam títulos, estatísticas impressionantes e lances que redefiniram taticamente a equipe de Pep Guardiola.
Por que De Bruyne se tornou um pilar do City
Contratado a peso de ouro em setembro de 2015 (52 milhões de libras), o belga encaixou imediatamente como o meio-campista “box-to-box” que Guardiola idealiza: visão de jogo, aceleração em condução curta e finalização de média distância. Sua estreia como titular, ainda sob Manuel Pellegrini, apesar da derrota para o West Ham, já apontava a versatilidade que faltava a David Silva – principalmente em transições rápidas.
Momentos-chave que definiram a lenda
Virada contra o Aston Villa (22/05/2022) – Com o City perdendo por 2 a 0 aos 69’, o belga iniciou a jogada do 3 a 2 que selou mais um título inglês, exemplificando sua capacidade de decisão sob pressão.
Exibição contra o Arsenal (26/04/2023) – Dois gols e uma assistência em confronto direto que virou a maré da Premier League e abriu caminho para a tríplice coroa.
“Let me talk” (17/10/2017) – O protesto após cartão amarelo contra o Napoli revelou sua personalidade competitiva, traço que o tornaria capitão em 2024/25.
Copa da Liga 2016 – da glória à lesão – Saiu do banco para virar sobre o Everton e, minutos depois, sofreu ruptura de ligamentos que desacelerou a campanha doméstica daquele ano.
Despedida em casa (20/05/2025) – Vitória por 3 a 1 sobre o Bournemouth e discurso emocionado: “Queria jogar com criatividade e paixão”.
Imagem: Internet
Raio-X de uma década no Etihad
422 partidas oficiais
108 gols marcados
170 assistências diretas
2 prêmios PFA de Melhor Jogador (2020, 2021)
5 títulos da Premier League, 1 Champions League, 1 FA Cup, 5 Copas da Liga
Precisão de passe na era Guardiola: 83% (média Premier League de meio-campistas ofensivos no período: 79%)
Impacto tático: do 4-3-3 ao falso 9
Guardiola explorou De Bruyne em três funções centrais: interior direito no 4-3-3, meia de ligação num 4-2-3-1 e até falso 9 em contextos específicos. O denominador comum foi a ocupação de meia-espaços, onde registrou 37% de suas ações produtivas (dados Opta). Sua saída, portanto, obriga o City a redistribuir a criação – Bernardo Silva tem assumido o papel de “condutor”, enquanto Phil Foden recebe mais liberdade entre linhas.
O que muda para as próximas rodadas
A curto prazo, a visita de De Bruyne ao Etihad serve de termômetro emocional: vitória dos Citizens reforça a robustez do meio-campo pós-belga; revanche do camisa 17 evidenciaria a lacuna criativa aberta em 2025/26. Para o belga, um desempenho sólido contra o ex-clube consolida sua adaptação no novo projeto esportivo e pode impulsionar outra corrida por títulos nacionais.
Perspectiva – Independentemente do placar desta noite, o encontro cristaliza a influência de Kevin De Bruyne numa era dominada pelo Manchester City. Seu legado técnico continuará norteando o modelo de jogo do clube, enquanto sua nova caminhada promete adicionar capítulos à rivalidade – e ao algoritmo do futebol moderno.
Com informações de The Guardian