Barcelona (ESP), 9 de março de 2026 – O presidente do FC Barcelona, Joan Laporta, contestou publicamente as declarações de Xavi Hernández e reforçou que a demissão do treinador — oficializada em maio de 2025 — foi necessária para mudar os rumos esportivos do clube. Para Laporta, “com Xavi seguiríamos perdendo”, enquanto Hansi Flick, contratado em junho passado, “vence com os mesmos jogadores”.
Entenda o atrito: de La Vanguardia ao Camp Nou
• Quem atacou primeiro? Na entrevista ao jornal La Vanguardia, Xavi sugeriu que Alejandro Echevarría, empresário e ex-cunhado de Laporta, teria atuado nos bastidores para minar sua permanência.
• Resposta da presidência: Laporta classificou a acusação como “difamação” e afirmou que Xavi “se deixou usar” politicamente pelo opositor Víctor Font, candidato na eleição presidencial de 15 de março.
• Papel de Echevarría: segundo o mandatário, o empresário é apenas “conselheiro de confiança em assuntos institucionais”, sem influência nas decisões técnicas.
Do ponto de vista esportivo: por que Laporta diz que a troca funcionou?
• Aproveitamento após a mudança: o Barcelona voltou a brigar na parte alta de LaLiga e chega vivo às oitavas de final da Champions League, onde encara o Newcastle.
• Método Flick: o alemão implementou pressão pós-perda mais agressiva e linhas mais altas, práticas já vistas em sua passagem pela seleção alemã; a filosofia favorece jovens como Lamine Yamal e Gavi, peças formadas em La Masia que ganham liberdade para atacar os espaços.
• Gestão de elenco: Flick reduziu a minutagem de veteranos em jogos seguidos, priorizando rotação física — ponto que, internamente, era motivo de queixa durante a era Xavi.
Raio-X tático e político do Barcelona
Setor ofensivo
• Fase Xavi (até 2024/25): posse de bola superior a 60%, mas conversão em gols abaixo das expectativas, especialmente contra defesas em bloco baixo.
• Fase Flick (2025/26): transições mais verticais e aumento de finalizações de dentro da área, refletindo maior presença de três jogadores na zona de finalização.
Setor defensivo
• Recuo de Ronald Araújo para liderar a última linha com menos trocas de posição; laterais são liberados somente em fases sustentadas de ataque, o que reduziu as transições defensivas expostas.
Cenário político
• A eleição de 15 de março coloca Laporta contra Víctor Font — aliado histórico de Xavi —, o que potencializa o discurso do presidente ao vincular resultados positivos de Flick à sua gestão.
Imagem: Internet
Próximos compromissos definem a narrativa
10/03 – Newcastle (F), Champions League
15/03 – Sevilla (C), LaLiga (data coincide com o pleito presidencial)
18/03 – Newcastle (C), Champions League
Uma eventual classificação diante dos ingleses reforçaria o argumento de Laporta de que a troca no comando técnico já produz dividendos esportivos. Por outro lado, tropeços em sequência poderiam reabrir o debate sobre a saída de Xavi justamente às vésperas da eleição.
Conclusão prospectiva: a disputa entre presidente e ex-treinador extrapola o campo e ganha peso eleitoral. O desempenho nos três próximos jogos servirá como termômetro para a aprovação do projeto de Laporta e para a consolidação do modelo de Hansi Flick. O clube catalão entra, portanto, em uma quinzena decisiva tanto no gramado quanto nas urnas.
Com informações de ESPN Brasil