Quito (Equador) – Na próxima quinta-feira, 23 de outubro, às 21h30 (de Brasília), o Palmeiras reencontra a LDU no Estádio Rodrigo Paz Delgado, a 2.850 m acima do nível do mar, pelo jogo de ida das semifinais da CONMEBOL Libertadores. A última visita alviverde ao local, em 2009, terminou em derrota por 3 a 2 e rendeu relatos de ex-jogadores sobre falta de ar, bola “mais viva” e até mudanças no cardápio, reforçando o desafio fisiológico que aguarda o elenco de Abel Ferreira.
O que diz quem já viveu o “sufoco” na capital equatoriana
Em entrevista à ESPN, três titulares daquela partida – Keirrison, Willians e Maurício Ramos – narraram as dificuldades imediatas ao desembarcar em Quito. Subir uma simples escada no hotel já exigia esforço extra, segundo Keirrison. Willians apontou a velocidade da bola e a necessidade de cilindros de oxigênio no vestiário. Maurício Ramos lembrou ainda da adaptação a gramado e alimentação locais, fatores que impactaram o rendimento logo nos primeiros 20 minutos de jogo.
Por que a altitude influencia o desempenho esportivo
Quito está quase três quilômetros acima do nível do mar. Nessa condição, a pressão atmosférica é menor e o ar contém menos moléculas de oxigênio por litro. Para atletas de alta intensidade, isso significa:
- Menor aporte de O2 ao músculo – acelera a fadiga;
- Alteração na trajetória da bola – menor resistência do ar a deixa mais rápida;
- Dificuldade de recuperação entre sprints – maior frequência cardíaca para mesma carga de trabalho.
Por isso, clubes visitantes costumam optar entre duas estratégias opostas: chegar com antecedência de cinco a sete dias (para adaptação fisiológica parcial) ou desembarcar a menos de 24h da partida (para minimizar os efeitos agudos). O Palmeiras manteve sigilo sobre o cronograma, mas a comissão de Abel Ferreira usa rotineiramente câmaras hipobáricas e monitora a saturação de oxigênio de cada atleta em tempo real, recursos inexistentes em 2009.
Raio-X do confronto
Altitude: 2.850 m
Último LDU x Palmeiras em Quito: 18/02/2009 – LDU 3 x 2 Palmeiras (fase de grupos)
Única partida do Palmeiras em altitude na era Abel: 11/05/2021 – Independiente del Valle 1 x 1 Palmeiras, também em Quito
Sequência do Verdão na temporada 2025: LDU (F) 23/10 – Cruzeiro (C) 26/10 – LDU (C) 30/10
O que mudou no Palmeiras de 2009 para 2025
Treze anos depois, o clube construiu o moderno Centro de Excelência, ampliou o departamento de fisiologia e implementou data science para controle de carga. A preparação atual inclui:
Imagem: Internet
- Suplementação de ferro e antioxidantes antes da viagem;
- Kit portátil de oxigênio individual no banco de reservas;
- Protocolo de hidratação com isotônicos de alta osmolaridade;
- Treinos de posse longa para reduzir picos de sprint, estratégia apontada pelo próprio Keirrison como ideal, mas pouco aplicada em 2009.
Impacto potencial na semifinal
Historicamente, quem marca primeiro em Quito amplia em 62 % das vezes (dados da CONMEBOL desde 2010). Manter posse e cadência baixa reduz a incidência de sprints acima de 25 km/h, poupando VO2. Além disso, a regra do gol fora de casa foi abolida; logo, um empate ou derrota mínima mantém o Palmeiras vivo para decidir no Allianz Parque em 30/10, a 760 m de altitude negativa em relação à capital equatoriana.
Conclusão: lição do passado e olhos no futuro
O revés de 2009 serve de alerta, mas a estrutura científica do Palmeiras em 2025 permite mitigar parte dos efeitos da altitude. Caberá a Abel equilibrar intensidade e controle de bola para sair de Quito com resultado gerenciável e, aí sim, usar o fator casa na segunda perna. Os relatos de Keirrison, Willians e Maurício Ramos transformam-se em manual preventivo para que o Verdão tente dar mais um passo rumo à quarta final continental em seis temporadas.
Com informações de ESPN Brasil