Rio de Janeiro (30.out.2025) – A Câmara Municipal do Rio aprovou nesta quinta-feira (30) um projeto de lei que permite a shoppings, supermercados e hipermercados comprarem potencial construtivo proveniente de Operações Urbanas Consorciadas. A medida abre um leque maior de interessados nos 280 mil m² que o Vasco da Gama colocou à venda para financiar a reforma de São Januário, avaliada preliminarmente em R$ 614,5 milhões.
Como a nova lei muda o jogo
Até aqui, o clube dependia exclusivamente de três incorporadoras – SOD Capital (220 mil m²), Brastinto (30 mil m²) e Tegra (30 mil m²) – que assinaram opções de compra equivalentes a 100% do potencial construtivo disponível. Com a proposta da prefeitura, aprovada em primeira votação e com segunda análise marcada para a próxima semana, redes varejistas de grande metragem passam a ser elegíveis, ampliando a concorrência e mitigando o risco de desistência de algum dos atuais interessados.
O estágio das negociações
O Vasco está na fase de due diligence com as três empresas signatárias. Nesta sexta-feira (31), por exemplo, ocorre a diligência com a Brastinto. O processo verifica saúde financeira e conformidade jurídica de todas as partes antes da conclusão do negócio. Caso qualquer opção seja exercida, o clube emite Certificados de Potencial Construtivo (CPCs) – títulos negociáveis autorizados pelo município – que podem ser usados pelos compradores para ampliar projetos em outras regiões da cidade.
Raio-X financeiro da reforma
- Potencial construtivo à venda: 280 000 m²
- Valor previsto de arrecadação: R$ 614,5 milhões
- Distribuição das opções: SOD Capital 78,6%, Brastinto 10,7%, Tegra 10,7%
- Próximo passo: Business plan da Arena Events+Venues definirá orçamento total, capacidade ideal e novos setores do estádio
- Instrumento de captação: FII em elaboração com o Banco Genial, que detalhará regras de governança e remuneração aos cotistas
O que muda para o torcedor cruz-maltino
Com a entrada de novos potenciais compradores, o Vasco reduz a dependência de três grandes cheques e ganha poder de barganha na precificação dos CPCs. Um fluxo de caixa mais previsível permite ao clube planejar fases de obra sem comprometer investimentos no futebol. Além disso, a modernização tende a elevar a receita recorrente com naming rights, camarotes e eventos não esportivos, prática comum em arenas multiuso.
Impacto futuro na estratégia esportiva
Se a segunda votação confirmar o texto da lei, o Vasco poderá fechar a venda dos CPCs ainda no primeiro trimestre de 2026, sincronizando o início das obras civis com a janela de competições domésticas. A expectativa é que o estádio opere de forma parcial durante a reforma, evitando deslocamentos constantes para outros palcos e mantendo a vantagem competitiva do mando de campo.
Imagem: Internet
Próximos capítulos: aprovação final na Câmara, publicação no Diário Oficial, emissão dos CPCs e lançamento do FII. A cada etapa, o projeto de São Januário avança de ativo imobiliário a ativo esportivo estratégico, com reflexos diretos na folha salarial e na capacidade de atração de atletas.
Com informações de Netvasco