São Paulo, 16 de janeiro de 2024 – Em reunião do Conselho Deliberativo do Palmeiras, realizada na noite desta terça-feira (16), a presidente Leila Pereira declarou publicamente o desejo de concorrer a um terceiro mandato a partir de 2027. A dirigente disse que uma eventual alteração do estatuto “não é golpe”, pois o regimento permite mudanças se aprovadas pelo colegiado.
Entenda a proposta de mudança estatutária
O estatuto atual do Palmeiras limita a presidência a dois mandatos consecutivos. Para liberar uma nova candidatura, a regra precisaria ser alterada em votação do Conselho Deliberativo, formado por 300 conselheiros. São necessários 151 votos (50% + 1) para aprovar a reforma. A pauta depende do presidente do Conselho, Alcyr Ramos da Silva Junior, que decide quando (e se) levar o tema à ordem do dia.
Histórico de gestão de Leila Pereira
Eleita em dezembro de 2021, Leila já conquistou títulos de peso:
- Campeonato Paulista (2022 e 2023)
- Recopa Sul-Americana (2022)
- Campeonato Brasileiro (2022 e 2023)
- Supercopa do Brasil (2023)
Além dos troféus, a presidente manteve o clube entre os que mais arrecadam no país, com receitas próximas de R$ 1 bilhão em 2022, segundo o balanço financeiro oficial. O bom desempenho esportivo respalda o argumento de “competência” citado por Leila ao comparar o modelo palmeirense com o do Real Madrid, cujo presidente Florentino Pérez está no cargo desde 2009.
Termômetro político no Conselho
Apesar dos resultados, a proposta enfrenta resistência. O conselheiro de oposição José Corona Neto criticou o alto investimento em contratações na temporada 2024 e classificou a tentativa de reforma como “personalista”. O desentendimento gerou bate-boca, interrupção da sessão e retirada de Corona por seguranças após intervenção da mesa diretora.
A correlação de forças, hoje, indica bloco governista numeroso, mas não há garantia de chegar aos 151 votos necessários. Conselheiros vitalícios, que somam 148 cadeiras, costumam pender ao lado da situação, mas parte deles defende manter a alternância de poder.
Raio-X financeiro e esportivo do elenco
Somando as duas últimas janelas, o Palmeiras ultrapassou a marca dos R$ 100 milhões em contratações, de acordo com dados compilados de comunicados oficiais ao mercado. Os principais investimentos recentes incluem:
Imagem: Reprodução
- Aníbal Moreno (volante) – adquirido junto ao Racing-ARG
- Lázaro (atacante) – empréstimo com opção de compra ao Almería-ESP
O aporte reforça um elenco que, em 2023, terminou o Brasileirão com a melhor defesa (0,76 gol sofrido/jogo) e o terceiro melhor ataque (1,63 gol marcado/jogo), segundo estatísticas da CBF.
Próximos passos e cenários possíveis
1. Pauta no Conselho: Alcyr Ramos pode convocar reunião extraordinária ou aguardar o calendário ordinário. A tendência é que o debate ocorra ainda no primeiro semestre de 2024, visando tempo hábil para registro de chapas em 2025.
2. Negociação de votos: governo busca maioria simples; oposição tenta adiar ou propor mandato único de quatro anos sem reeleição.
3. Consequência para o futebol: estabilidade política favorece planejamento de longo prazo, inclusive a renovação de contrato do técnico Abel Ferreira (válido até 2027). Em caso de derrota, o clube terá eleição aberta em 2027, possivelmente com novas chapas.
Perspectiva: O resultado da votação estatutária definirá se o Palmeiras seguirá uma linha de continuidade administrativa ou se abrirá espaço para alternância de poder já na próxima década. Enquanto isso, a diretoria mantém o foco na montagem do elenco para a temporada 2024, que começa dia 21 de janeiro pelo Campeonato Paulista.
Com informações de Nosso Palestra