Manchester – Em entrevista publicada pelo Manchester Evening News, o ex-zagueiro Joleon Lescott afirmou que Vincent Kompany tem potencial para comandar o Manchester City um dia, mas alertou que assumir imediatamente após a saída de Pep Guardiola pode não ser o melhor movimento para o belga.
O que Lescott disse e por que o tema ganhou força
Lescott, que formou dupla de zaga com Kompany em 108 partidas e conquistou duas Premier Leagues (2011/12 e 2013/14), elogiou o ex-capitão pelo início arrasador no Bayern de Munique: 41 gols marcados em 11 rodadas e vantagem de seis pontos na Bundesliga 2025/26, mesmo após a primeira derrota na Champions diante do Arsenal. Ainda assim, o inglês ponderou que substituir Guardiola significa encarar um nível de exigência “sem precedentes desde a saída de Sir Alex Ferguson do Manchester United”.
Trajetória acelerada de Kompany no banco de reservas
• 2022/23 – Acesso com o Burnley na Championship, remodelando o estilo de jogo para posse de bola.
• 2023/24 – Rebaixamento dos Clarets na Premier League, apesar de manter a filosofia ofensiva.
• Mai/2024 – Contratação surpreendente pelo Bayern após recusas de técnicos mais experientes.
• 2024/25 – Conquista da Bundesliga logo na primeira temporada, demonstrando capacidade de adaptação tática.
• 2025/26 – Melhor ataque da liga após 11 jogos e futebol elogiado pela imprensa europeia.
Guardiola e a herança complicada no Etihad
Desde 2016, Guardiola empilhou cinco títulos de Premier League, quatro Copas da Liga, duas FA Cups, uma Champions League e um Mundial de Clubes. A média de 2,34 pontos por jogo coloca o catalão em um patamar que poucos técnicos conseguem replicar. Segundo Lescott, qualquer sucessor – inclusive Kompany – terá o desafio de manter esse índice sem causar queda de rendimento similar à vivida pelo Manchester United pós-Ferguson.
Raio-X: números recentes de Kompany no Bayern
Idade: 39 anos
Aproveitamento em 2025/26 (todas as competições): 83%
Gols marcados: 41 em 11 rodadas da Bundesliga (média de 3,7)
Gols sofridos: 10
Sequência invicta inicial: 15 jogos
Primeira derrota: Arsenal 2 x 1 Bayern (Champions League) – quarta-feira passada
Como o City enxerga o “projeto pós-Pep”
O departamento de futebol opera com planejamento de longo prazo e prefere técnicos que compreendam:
Imagem: Internet
- Jogo posicional com posse superior a 60%;
- Integração entre base e elenco principal;
- Alinhamento com o City Football Group.
Kompany preenche esses requisitos: conhece a cultura interna, fala quatro idiomas e tem experiência em adaptar jovens talentos (caso de Lamine Yamal no Bayern). No entanto, Lescott acredita que uma transição imediata poderia expor o belga a comparações diretas e pouco realistas com Guardiola.
Impacto futuro e próximos passos
Para o Manchester City, o cenário ideal é monitorar Kompany por mais uma ou duas temporadas na Alemanha, avaliando sua performance em mata-matas europeus – principal parâmetro usado para definir o sucessor de Pep. Já o Bayern renovou até 2028 e não planeja liberá-lo sem compensação elevada. Se o ciclo de Guardiola se encerrar em 2026, o clube inglês precisará decidir se antecipa a aposta em um ídolo da casa ou busca um nome com currículo continental mais robusto.
A curto prazo, a declaração de Lescott funciona como termômetro interno: a diretoria reconhece Kompany como candidato, mas não descarta um estágio intermediário para que o ex-capitão chegue ao Etihad no momento certo, reduzindo riscos de queda de desempenho e preservando a herança tática deixada por Guardiola.
Com informações de Manchester Evening News