Manchester — Em participação no programa “In The Mixer”, da Sky Bet, o ex-zagueiro do Manchester City Joleon Lescott afirmou que o Manchester United “não precisava” investir £62,5 milhões em Matheus Cunha e que o camaronês Bryan Mbeumo será o verdadeiro diferencial da equipe de Rúben Amorim na temporada 2024/25.
Por que a contratação de Cunha é colocada em dúvida
Lescott entende que o brasileiro, atualmente em recuperação de lesão muscular, não resolve o principal gargalo da equipe, que soma apenas uma vitória e amargou goleada de 3 a 0 no dérbi contra o City. Segundo o ex-jogador, o United já dispõe de peças similares no elenco e precisaria focar em atletas “fundacionais” — termo usado por ele para caracterizar jogadores que dão identidade a um projeto em reconstrução.
Do ponto de vista tático, Cunha atua preferencialmente como segundo atacante, recuando para articular. Com Benjamin Sesko — contratado por £74 milhões — projetado como referência de área, a coexistência imediata dos dois exige reajustes de posicionamento e ainda não foi testada em sua plenitude devido à lesão do brasileiro.
Mbeumo: o ativo tático que Amorim precisa
Já Mbeumo chega com histórico de alta produção na Premier League: foram 20 participações em gols (9 gols + 11 assistências) pelo Brentford em 2023/24, ocupando tanto o flanco direito quanto a faixa central em transições rápidas. Para Lescott, essa versatilidade é vital para um United que, nas quatro primeiras rodadas, marcou apenas quatro vezes e carece de profundidade pelos lados.
Além disso, o camaronês oferece pressing intenso sem bola — elemento-chave no modelo posicional de Amorim, acostumado a extremos que iniciam a pressão no terço final.
Raio-X dos reforços
Matheus Cunha
• Valor de compra: £62,5 milhões (ex-Wolves)
• 2023/24 pelo Wolves: 2 gols e 3 assistências em 20 jogos de Premier League
• Perfil: atacante móvel, finaliza pouco dentro da área (1,4 finalização por jogo no último campeonato)
Bryan Mbeumo
• Valor de compra: £65 milhões iniciais (ex-Brentford)
• 2023/24 pelo Brentford: 9 gols e 11 assistências em 38 jogos de Premier League
• Perfil: ponta/segundo atacante, 2,3 chutes e 1,6 chances criadas por jogo; ambidestro, especialista em transição
Imagem: In The Mixer
Impacto imediato na temporada
Com Carabao Cup já fora do calendário — ambos desperdiçaram pênaltis na eliminação para o Grimsby Town —, a margem de erro diminuiu. A presença de Mbeumo como titular tende a:
- Aumentar a produção ofensiva pelos corredores, setor responsável por apenas 28 % dos cruzamentos certos do time nas primeiras quatro partidas;
- Liberar Sesko para atuar mais fixo entre os zagueiros, potencializando bolas aéreas (1,9 duelos ganhos por jogo);
- Elevar a pressão pós-perda: Mbeumo recuperou em média 3,8 bolas por jogo no campo adversário em 2023/24.
Quanto a Cunha, a recuperação total do problema no posterior da coxa é acompanhada com cautela. Amorim declarou que o atacante “empurra para jogar” e pode voltar já contra o Chelsea, mas tendência é de gestão gradual de minutos.
Próximos capítulos
Se as projeções de Lescott se confirmarem e Mbeumo se consolidar como peça-chave, o United terá ao menos um pilar sólido para reverter o início titubeante na liga. O desempenho do trio ofensivo Sesko-Mbeumo-Cunha — caso o brasileiro retorne bem — definirá não só a colocação na tabela, mas também o grau de respaldo a Rúben Amorim em Old Trafford.
No curto prazo, o duelo contra o Chelsea no próximo sábado servirá de termômetro: é a chance de Mbeumo provar seu valor e de Cunha mostrar que pode, sim, ser necessário. A forma como Amorim equilibrará minutos, pressões externas e ajustes táticos será determinante para manter o projeto vivo até a janela de janeiro.
Com informações de Manchester Evening News