Milão-Cortina (ITA), 14 de fevereiro de 2026 – O esquiador Lucas Pinheiro Braathen entrou para a história ao vencer o Slalom Gigante dos Jogos Olímpicos de Inverno, garantindo a primeira medalha – e já de ouro – para o Brasil e para toda a América do Sul nessa competição.
Quebra de paradigmas para o esporte brasileiro
Até hoje, o melhor resultado nacional em Jogos de Inverno era o top-10 de Isabel Clark no snowboard cross de Turim-2006. O pódio de Braathen encerra uma espera de 34 anos desde a estreia do país na neve, em Albertville-1992, e abre um precedente inédito para investimentos em esportes de inverno na região.
Raio-X da prova: tempos, rivais e diferença para o pódio
Tempo da 1ª descida: 1min13s92 – melhor parcial entre 81 atletas.
Tempo da 2ª descida: 1min11s08 – segundo melhor tempo da rodada.
Soma final: 2min25s00*
*O tempo oficial divulgado foi arredondado para 2min25s.
Ele superou o favorito suíço Marco Odermatt (2min25s58) por 0s58 e deixou outro suíço, Loïc Meillard (2min26s17), a 1s17 de distância. O intervalo entre Braathen e o 10º colocado foi de 2s41, sinal de domínio consistente em ambas as descidas.
Trajetória até a consagração
Nascido em Oslo, filho de mãe brasileira e pai norueguês, Braathen (26 anos) optou por defender o Brasil a partir da temporada 2023/24. Desde então:
- 3 vitórias e 7 pódios na Copa do Mundo de Esqui Alpino da FIS;
- Campeão do Slalom Gigante no Mundial Júnior de 2024;
- Top-5 geral da disciplina em 2025, qualificando-se com folga para Milão-Cortina.
A transição para a equipe brasileira incluiu um centro de treinamento conjunto em Hafjell (NOR) e intercâmbio técnico com a Confederação Brasileira de Desportos na Neve, fator que acelerou sua adaptação ao modelo de preparação olímpica sul-americano.
Imagem: Internet
O que muda para o Brasil e para a América do Sul
• Aumento de verba pública e privada: segundo a Lei das Loterias, resultados olímpicos incrementam o repasse federativo em até 15%.
• Base inspirada: federações de Chile e Argentina, tradicionais na neve, já anunciaram intercâmbios de jovens atletas com o Brasil.
• Calendário continental: a etapa da Copa Sul-americana em Valle Nevado pode ganhar status classificatório para a Copa do Mundo a partir de 2027.
Próximo desafio: Slalom na segunda-feira
Braathen volta à pista no dia 16/02 para o Slalom, prova mais técnica e com portas mais próximas. Na atual temporada, ele possui média de 0,38 segundo por manga acima da linha de corte de pódio – estatística que o coloca novamente entre os favoritos. Um novo resultado expressivo pode consolidar o Brasil em posição de destaque no quadro de medalhas e reforçar a candidatura de futuras etapas da Copa do Mundo na Serra Catarinense, projeto em andamento com a FIS.
Conclusão prospectiva: O ouro de Lucas Pinheiro Braathen representa um ponto de inflexão para o esporte brasileiro na neve, potencializando investimentos, atraindo novos praticantes e elevando o país a protagonista inédito no cenário sul-americano. A performance no Slalom de segunda-feira será o próximo termômetro para medir até onde esse efeito dominó competitivo pode chegar.
Com informações de ESPN.com.br