Manchester (ING) — O Manchester City iniciou o processo de realocar centenas de torcedores que tradicionalmente se posicionam atrás do gol da North Stand para abrir espaço ao “City Hall”, novo setor de hospitalidade com 500 lugares previsto para estrear na próxima fase de expansão do Etihad Stadium. A mudança, anunciada nesta semana, surpreendeu parte dos sócios porque a expectativa era de que os assentos existentes fossem preservados.
Por que o clube mexeu justamente nesse setor?
O projeto de expansão da North Stand pretende elevar a capacidade total do estádio de cerca de 53,4 mil para pouco mais de 61 mil lugares até 2025. Para financiar a obra — orçada em aproximadamente £300 milhões segundo dados públicos do clube — o City incluiu uma área corporativa de alto padrão imediatamente atrás do gol norte. A ideia é gerar fluxo de receita não apenas nos dias de jogo, mas também em eventos corporativos realizados fora do calendário esportivo.
Receita de dia de jogo x atmosfera: o dilema azul
Na temporada 2022/23, o City registrou receita de matchday de £64,5 milhões, valor que representa menos de 10% do faturamento total de £712 milhões, mas ainda assim é crucial para manter a folha salarial e competir com rivais que exploram estádios maiores ou mais rentáveis (casos de Arsenal e Tottenham). A diretoria acredita que áreas VIP, como o já existente Tunnel Club e agora o City Hall, são rotas mais “rápidas” para elevar esse número sem repassar custos aos ingressos tradicionais.
Raio-X financeiro e de capacidade
- Capacidade atual do Etihad: 53.400 lugares
- Capacidade projetada pós-expansão: ~61.000 (+7.600)
- Lugares corporativos adicionados: 500 na North Stand (City Hall)
- Receita de matchday 22/23: £64,5 mi (6.º maior da Premier League)
- Preço médio de season ticket congelado: £680 (2023/24)
- Flexi Season Ticket criado: 4.000 pacotes para público esporádico
Impacto no torcedor: confiança posta à prova
A remoção de assentos que concentram parte do “miolo” da atmosfera — algo comparável à Kop em Anfield no contexto de proximidade ao campo — levanta dúvidas sobre o efeito acústico nos jogos de maior peso. Estudos da própria Premier League indicam que o ruído ambiente pode influenciar decisões de arbitragem e elevar a energia dos atletas em até 7% nos chamados high-pressure moments.
Em 2017, quando o Tunnel Club foi inaugurado em frente ao banco de reservas, houve relatos de cadeiras vazias nos primeiros minutos de cada tempo devido ao serviço de catering, algo que afetou a percepção televisiva da ocupação do estádio. Torcedores temem repetição do cenário atrás do gol.
Imagem: Internet
Próximos passos e cronograma de obra
O clube ainda não divulgou o mapa final de assentos, mas as realocações devem ser concluídas até o término da temporada 2024/25, quando a nova estrutura começa a operar em regime integral. Paralelamente, o City promete manter o congelamento de valores dos ingressos tradicionais e ampliar programas de ingresso flexível para minimizar a sensação de “elitização” do espaço.
Perspectiva: A curto prazo, o City ganha fôlego financeiro extra para sustentar folha salarial e investimentos em elenco. A médio prazo, o verdadeiro termômetro será o saldo entre o decibelômetro das arquibancadas e a linha de receita no balanço. Se o “City Hall” não comprometer a atmosfera em partidas decisivas da Champions League ou Premier League, o projeto tende a ser visto como case de sucesso; caso contrário, a diretoria enfrentará nova rodada de pressões para priorizar a paixão sobre a rentabilidade.
Com informações de Manchester Evening News