Manchester City descobriu, em apenas uma semana de Premier League, que Abdukodir Khusanov é o defensor que não pode ser retirado de campo: nas partidas contra Brighton e Arsenal, disputadas respectivamente no Amex Stadium e no Emirates, a equipe sofreu gols decisivos imediatamente após a saída ou a limitação física do uzbeque, escancarando a dependência da defesa na sua velocidade de recuperação.
O que aconteceu em Brighton?
No Amex Stadium, um quadruplo ajuste tático do Brighton aos 60 minutos mudou o ritmo do jogo e expôs o City. Khusanov, pressionado, cometeu falta dura e recebeu cartão amarelo; no lance seguinte Matheus Nunes tocou com a mão na bola dentro da área. James Milner converteu o pênalti que igualou o placar e, pouco depois, Khusanov precisou ser substituído por lesão. Sem a sua cobertura de velocidade, o time de Pep Guardiola perdeu controle territorial e acabou derrotado nos instantes finais.
Metade do jogo no Emirates: a história se repetiu
Três dias depois, no Emirates, o zagueiro foi um dos destaques do primeiro tempo contra o Arsenal, destruindo transições com recuperações rápidas. Contudo, Guardiola o retirou no intervalo para colocar Nunes, atendendo à preocupação pública de que o defensor “não aguenta atuar a cada três dias”. Resultado: aos 86 minutos, Gabriel Martinelli recebeu na zona que Khusanov normalmente protege, avançou e marcou o gol da vitória londrina após desvio em defesa cidadã.
Por que Khusanov é tão importante para o sistema de Guardiola?
O treinador exige linha alta, posse longa e pressão imediata após perda de bola. A peça-chave dessa engrenagem é a velocidade de correção defensiva; quando o adversário escapa da primeira pressão, o zagueiro mais veloz vira “seguro-colchão”. Até aqui, Khusanov tem cumprido essa função com:
- Impulsão para vencer duelos aéreos e iniciar imediatamente a construção curta.
- Cobertura de flanco, o que libera laterais a avançar como alas.
- Capacidade de antecipar passes entrelinhas, reduzindo a necessidade de faltas táticas.
Raio-X: City com e sem Khusanov em campo
Últimos dois jogos:
- Tempo total com Khusanov: 135 minutos (90′ vs Brighton + 45′ vs Arsenal)
- Gols sofridos com o zagueiro em campo: 0
- Tempo total sem Khusanov: 45 minutos (última meia hora em Brighton + segundo tempo no Emirates)
- Gols sofridos sem ele: 2 (Milner de pênalti e Martinelli de fora da área)
Embora a amostra seja curta, o recorte revela uma média de 0 gol sofrido por jogo com o uzbeque e 4,0 gols sofridos a cada 90 minutos quando ele não está presente, um salto estatístico que chama atenção do departamento de análise de desempenho do clube.
Imagem: Internet
Próximos passos: gerir minutos sem abrir brechas na defesa
O calendário coloca o City diante de compromissos consecutivos em Premier League e Champions League, cenário que obrigará Guardiola a dosar a minutagem de Khusanov. Se a equipe quiser manter a linha alta sem sofrer com bolas nas costas, precisará:
- Encontrar alternativa que reproduza a velocidade do camisa número XX (por exemplo, fortalecer a cobertura dos volantes).
- Ajustar o momento das substituições: trocar o zagueiro somente quando o resultado já estiver protegido ou recuar o bloco imediatamente após a saída dele.
- Trabalhar em treinos específicos o posicionamento de Nunes e dos laterais para reduzir o espaço entre linhas.
Conclusão: Nas primeiras cinco rodadas da liga, Khusanov passou de opção em rotação a peça quase insubstituível no sistema defensivo do Manchester City. A forma como Guardiola vai equilibrar carga física e solidez tática a partir de agora pode definir tanto a campanha doméstica quanto a trajetória europeia dos atuais campeões.
Com informações de Manchester Evening News