Manchester, 12 de abril de 2024 – O Manchester City corre o risco de abrir mão de até €52 milhões em premiações da UEFA Champions League caso não reverta, no Etihad Stadium, a desvantagem de 3 a 0 sofrida para o Real Madrid no jogo de ida das oitavas de final. A projeção financeira acende um sinal de alerta no clube, que já registrou prejuízo de £9,9 milhões no último balanço anual.
Por que a Champions pesa tanto no caixa do City
Desde a conquista europeia de 2023 — que rendeu cerca de €116 milhões em prêmios — o City passou a depender de receitas recorrentes da competição para sustentar folhas salariais elevadas e um ciclo agressivo de contratações. Em 2023/24, a alteração no formato da Champions (mais jogos e mais participantes) aumentou o bolo financeiro, mas o modelo de distribuição por desempenho e coeficiente traz impactos diretos quando a equipe sai cedo do torneio.
Efeito dominó: do título ao risco de eliminação nas oitavas
2022/23 (título): €116 milhões em prêmios.
2023/24 (queda nos play-offs): €65 milhões.
2024/25* (em andamento): €71,6 milhões já garantidos na fase de grupos.
*Valores convertidos a partir de libras para euros segundo taxa média de março/2024.
Se não avançar às quartas, o City deixará de embolsar:
- €12,5 milhões por vaga nas quartas;
- €15 milhões adicionais por semifinal;
- €18 milhões pela final;
- €6,5 milhões pelo título.
No cenário mais pessimista, a perda soma €52 milhões em relação ao potencial máximo de premiação.
Raio-X financeiro pós-balancete
Prejuízo declarado (temporada 2022/23): £9,9 milhões.
Investimentos em contratações para 2023/24: valores de compras como Gvardiol, Doku e Nunes serão contabilizados no próximo exercício.
Dependência de vendas: o clube precisará de saídas rentáveis — por exemplo, Kalvin Phillips ou jogadores emprestados — para compensar o déficit se a receita europeia não aumentar.
Imagem: Getty s
Desempenho técnico e o “sorteio crônico” contra o Real Madrid
Mesmo com quatro títulos consecutivos da Premier League, o City foi eliminado pelo Real Madrid em três das últimas quatro edições da Champions. A sobrecarga física do calendário inglês, lesões pontuais (casos de De Bruyne e Haaland na temporada passada) e ajustes táticos ainda em evolução após mudanças de elenco ajudam a explicar o rendimento abaixo do esperado na Europa.
Qual o impacto para 2024/25?
Sem a remuneração extra da Champions, o City pode:
- Reduzir o ritmo de contratações ou buscar opções de menor custo para manter o Fair Play Financeiro da UEFA, que voltou a endurecer limites de perdas anuais;
- Apostar na venda de ativos valorizados da base, como Rico Lewis ou Oscar Bobb, para equilibrar contas;
- Depender mais das receitas domésticas, cujo crescimento dá sinais de estagnação com o atual modelo de TV da Premier League.
Próximos capítulos
O confronto de volta contra o Real Madrid, na próxima terça-feira, definirá se o Manchester City mantém vivo o plano de “dominar a Europa” traçado em 2023 ou se terá de replanejar suas finanças já no curto prazo. A resposta em campo pode valer não apenas a continuidade na Champions, mas também a capacidade de investimento do clube na janela de transferências do verão europeu.
Com informações de Manchester Evening News