Emirates Stadium, Londres – Sob aplausos nervosos do técnico Pep Guardiola, o Manchester City saiu de campo na noite de domingo (data local) com um empate por 1 x 1 diante do Arsenal depois de sofrer o gol de Gabriel Martinelli nos acréscimos, mesmo tendo aberto o placar logo aos 6 minutos com Erling Haaland. O ponto fora de casa poderia parecer satisfatório, não fosse o registro histórico: foi a menor porcentagem de posse de bola dos Citizens desde a chegada do treinador catalão em 2016, fato que surpreendeu o próprio comandante.
Como o Arsenal quebrou o DNA de posse do City
Acostumado a controlar jogos acima dos 60 % de posse, o City terminou a partida encurralado no próprio campo. Segundo o Manchester Evening News, os campeões ingleses não haviam ficado tão pouco com a bola em nenhuma das 450 partidas anteriores da era Guardiola. O Arsenal de Mikel Arteta, ex-auxiliar de Pep, adiantou a linha de pressão, encaixou marcação homem a homem nas laterais de construção (Rodri e Stones) e obrigou Ederson a fazer lançamentos diretos – algo raro no modelo de jogo celeste.
Guardiola admitiu: “Isso me surpreendeu também. Hoje o nosso homem livre era o goleiro. Para chegarmos às fases finais das competições, precisamos estar mais próximos do que mostramos contra Napoli e Manchester United nesta semana”.
Resiliência em semana extenuante
Foi o terceiro jogo do City em apenas quatro dias – vitórias sobre United (Premier League) e Napoli (Champions) antecederam a viagem ao Emirates. O Arsenal, por sua vez, teve 48 horas a mais de recuperação e exibiu fôlego para pressionar até o fim. O cenário obrigou o City a defender bloco baixo, recurso pouco habitual, mas que evidencia evolução em um ponto citado por Guardiola como carência em 2022/23: “espírito competitivo”.
Raio-X do duelo em números
Posse de bola: Arsenal 71 % x 29 % Man. City*
Finalizações: Arsenal 17 (7 no alvo) x 9 (3 no alvo) Man. City*
Passes completados: Arsenal 638 x 291 Man. City*
Sequência invicta interrompida? City vinha de duas vitórias seguidas na semana.
*Dados do Opta até o apito final.
O que muda para o restante da temporada
O empate manteve o City na perseguição direta ao líder do campeonato, mas apontou duas vertentes opostas para Guardiola:
Imagem: Internet
1. Alerta de construção: adversários de elite, como Arsenal e recentemente o Liverpool, já mostraram que linhas altas podem limitar a saída curta dos Citizens.
2. Ponto positivo defensivo: mesmo sob pressão, o time concedeu apenas um gol em jogada construída e mostrou compactação para bloquear cruzamentos – setor que sofreu 33 gols na última Premier League, a pior marca de Pep em Manchester.
O reencontro entre as equipes acontecerá em Manchester, no Etihad, no segundo turno. Até lá, Guardiola pretende “controlar e criar mais chances” para evitar novo sufoco. Se conseguir equilibrar volume ofensivo com a resiliência vista em Londres, o City voltará a ser favorito nas três frentes (Premier League, Champions e Copa nacional) sem renunciar à essência de posse de bola.
Conclusão Prospectiva: O ponto conquistado em Londres vale mais do que parece para o City – não pela tabela, mas por mostrar um plano B defensivo que pode ser decisivo em mata-matas europeus. O desafio agora é recuperar frescor físico e retomar o domínio territorial característico antes do duelo de volta no Etihad, que promete ser decisivo na briga pelo título.
Com informações de Manchester Evening News