Nottingham – 23/10/2025. O magnata grego Evangelos Marinakis, proprietário do Nottingham Forest desde 2017, tornou-se o rosto — e a voz — de todas as decisões do clube. Após substituir Ange Postecoglou por Sean Dyche em meio a uma campanha que já havia derrubado Nuno Espírito Santo, o dirigente reforça seu estilo centralizador, contestando órgãos como Premier League, VAR e PGMO, enquanto busca tirar a equipe da zona de rebaixamento e recolocá-la na disputa da Europa League.
Por que tudo passa por Marinakis?
Em oito anos, o Forest teve nove treinadores permanentes (Mark Warburton, Aitor Karanka, Martin O’Neill, Sabri Lamouchi, Chris Hughton, Steve Cooper, Nuno, Postecoglou e agora Dyche). Não há um fio tático único: o que existe é a filosofia do dono. Marinakis participa de contratações, mensagens oficiais e até da escolha de músicas — ele mesmo escreveu a letra da canção “Exapsi”, tema de uma série grega exibida em sua emissora Mega TV.
Choque de estilos no banco de reservas
A troca de Nuno (pressão alta e construção apoiada) para Postecoglou (posse e amplitude) e, em seguida, para Dyche (bloco baixo, jogo direto) expõe a dificuldade de estabelecer continuidade. O elenco, montado para jogar de maneiras diferentes em curtíssimo espaço de tempo, vê sua identidade competitiva diluída, algo refletido na 18ª posição atual da Premier League 2025/26.
Raio-X da gestão Marinakis
• Tempo médio de permanência de treinadores: 10,6 meses
• Investimento bruto em contratações*: £270 mi desde a promoção em 2022/23
• Jogadores inscritos na temporada 2025/26: 33 (sendo 14 contratados nos últimos dois mercados)
• Desempenho recente: 14º (2023/24) → 10º (2024/25) → 18º (atual)
• Processos abertos contra órgãos da liga: 3 (PGMO, VAR, regras de sustentabilidade financeira)
*Fonte: dados públicos do Transfermarkt.
Impacto no vestiário e na tabela
Mesmo sem função executiva oficial, Marinakis é citado por Morgan Gibbs-White como “a maior influência” no ambiente do grupo. Do ponto de vista de desempenho, o modelo de Dyche tem potencial para:
1) reduzir a média de 1,9 gols sofridos por jogo (24/25) para patamares abaixo de 1,4, históricos de seus trabalhos no Burnley;
2) elevar a eficiência nas bolas paradas — já responsável por 34% dos gols marcados pelas equipes de Dyche na Premier League.
Imagem: Internet
O que vem a seguir?
O Forest encara uma sequência direta contra adversários diretos (Fulham, Wolves e Bournemouth). A permanência na elite e a evolução na Europa League serão termômetros do “Projeto Marinakis”. Caso Dyche não apresente resultados imediatos, o histórico sugere nova ruptura tática — e, possivelmente, outro treinador.
Conclusão prospectiva: Enquanto a maior parte dos clubes da Premier League trabalha para se tornar menos dependente de indivíduos, o Nottingham Forest se move na direção oposta, personificando seu futuro nas ações e no temperamento de Evangelos Marinakis. O próximo trimestre mostrará se esse modelo centrado no proprietário consegue alinhar investimento pesado, estabilidade técnica e resultados esportivos — ou se a “queima conjunta” citada pelo próprio empresário em suas letras será, na prática, a metáfora do risco de relegação.
Com informações de The Guardian