Buenos Aires, 6 de janeiro de 2026 – Em entrevista à LUZU TV, Lionel Messi revelou que, ainda nas categorias de base, chegou a treinar por dez dias no River Plate e ficou muito próximo de permanecer no clube argentino, mas esbarrou na falta de liberação do Newell’s Old Boys. O impasse abriu caminho para a proposta do Barcelona, mudando o rumo da carreira do craque.
O teste no River Plate: bastou uma semana para convencer
Messi viajou por conta própria a Buenos Aires quando tinha 12 anos, realizou treinos avaliativos por dez dias e, segundo o próprio jogador, ouviu dos profissionais do River que o clube arcaria inclusive com o tratamento de hormônio do crescimento – condição médica que demandava custos mensais significativos. A permanência dependia apenas da transferência federativa, então nas mãos do Newell’s.
Quando o negócio desmoronou e o Barcelona entrou na cena
Sem o documento de liberação, o River Plate se viu impossibilitado de registrá-lo. Pouco tempo depois, o Barcelona ofereceu oportunidade, tratamento médico integral e moradia para a família. O restante da história rendeu ao clube catalão uma das trajetórias mais vitoriosas do futebol moderno.
Raio-X: números de Messi pelo Barcelona
- 35 títulos conquistados (10 LaLiga, 4 UEFA Champions League, 3 Mundiais de Clubes, entre outros).
- 778 jogos oficiais e 672 gols – maior artilheiro da história blaugrana.
- 474 gols em LaLiga – recorde absoluto da competição.
- 303 assistências registradas em competições oficiais (fonte: FC Barcelona).
- 8 prêmios Bola de Ouro até 2023, consolidando-o como recordista da premiação.
O que o episódio revela sobre a formação sul-americana
O caso ilustra dois pontos críticos do mercado formativo na América do Sul:
- Estrutura médica e de suporte: em 2000, poucos clubes da região tinham capacidade de bancar tratamentos caros para atletas de base. O Barcelona transformou esse diferencial em vantagem competitiva.
- Burocracia federativa: a dependência de documentos de clubes de origem ainda é um gargalo. Perder joias por falta de acordos formais segue sendo risco para centros de formação.
Lições atuais para River, Newell’s e Inter Miami
Hoje no Inter Miami, Messi já levantou a MLS Cup em 2025. Para o clube norte-americano, o relato reforça a importância de oferecer suporte integral — médico, familiar e educacional — ao prospectar jovens talentos globais. No River Plate, a história serve como lembrete da necessidade de processos ágeis de captação. Já o Newell’s, que manteve o passe do atleta à época, passou a investir mais pesado em parcerias e contratos de primeira formação, tentando evitar perdas semelhantes.
Imagem: Internet
Impacto futuro: mercado cada vez mais globalizado na base
A fala de Messi tende a reacender o debate sobre blindagem de atletas sul-americanos e pode acelerar mudanças regulatórias na AFA e na Conmebol. A disputa por promessas em idade escolar está se intensificando, e clubes como River, Boca, Flamengo ou Palmeiras já revisam cláusulas de incentivo e bolsas de estudos para não perder talentos para Europa ou MLS.
No curto prazo, a entrevista não altera o status do camisa 10 no Inter Miami, mas reforça a narrativa de que o clube argentino esteve a centímetros de escrever uma página diferente no futebol mundial — lição que deve orientar os próximos ciclos de investimento em categorias de base no continente.
Com informações de ESPN Brasil