Belfast (Irlanda do Norte) — Na próxima segunda-feira, 13 de outubro, às 19h45 (horário local), Michael O’Neill completará 100 partidas como técnico da seleção da Irlanda do Norte, justamente no confronto contra a Alemanha pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, em Windsor Park.
Marco histórico que vai além da marca pessoal
Apenas Billy Bingham havia atingido a centena de jogos no comando norte-irlandês. Agora, O’Neill se torna o segundo a alcançar o feito, mas deixa claro que o foco está na classificação para o Mundial de EUA, Canadá e México. Desde que assumiu em 2011, o treinador de 56 anos soma 37 vitórias em 99 partidas, com presença nas oitavas de final da Euro 2016, primeiro grande torneio do país em 30 anos.
Por que o centésimo jogo importa para a campanha
A Irlanda do Norte chega ao duelo contra a tetracampeã mundial pressionada: derrotada por 3 x 1 em Colônia no mês passado, a equipe ocupa posição intermediária no grupo e precisa pontuar em casa para manter chances reais de classificação.
O’Neill já provou ser capaz de superar períodos turbulentos — levou 10 jogos para obter a primeira vitória no ciclo inicial e, dois anos depois, colocou o país na Euro. Selecionar jovens como Conor Bradley (Liverpool), Isaac Price (West Brom) e Shea Charles (Southampton) é a aposta para encurtar a renovação forçada após as aposentadorias de Steven Davis, Jonny Evans e Craig Cathcart.
Raio-X de Michael O’Neill
- Partidas: 99
- Vitórias: 37 (37,4%)
- Empates: 23*
- Derrotas: 39*
- Melhor campanha: Euro 2016 (oitavas de final)
- Gols marcados na era O’Neill: 105*
- Gols sofridos: 119*
*Dados consolidados até o jogo anterior à Alemanha.
Como está a defesa e onde o time precisa evoluir
Nos Eliminatórios da Euro 2024, a Irlanda do Norte encerrou em 5º no Grupo H, com 9 pontos, 9 gols pró e 13 contra em 10 partidas. O índice de 1,3 gol sofrido por jogo explica a prioridade dada por O’Neill à organização defensiva. A entrada de Dan Ballard (Sunderland) e Trai Hume (Sunderland) como opções de liderança em campo visa justamente reduzir esse número diante de ataques de alto volume como o alemão.
Imagem: Internet
Aposta na base: confiança como motor de desempenho
Isaac Price, debutante aos 19 anos com apenas 13 minutos como profissional no Everton à época, tornou-se o segundo maior artilheiro da era O’Neill (10 gols) e atribui o rendimento ao suporte psicológico do treinador. A gestão de grupo, apontada por Conor Bradley como “especial”, é um diferencial que pode compensar a escassez de experiência internacional.
Impacto futuro e próximos desafios
O resultado contra a Alemanha definirá a rota norte-irlandesa: vencer em Belfast reacende a disputa direta contra seleções de maior ranking e reforça a crença de que a combinação de juventude e método de O’Neill pode repetir o feito de 1986, última participação em Copas. Em caso de tropeço, o caminho passa a depender de combinação de resultados e eventual repescagem.
Em síntese, o centésimo jogo de Michael O’Neill não é apenas um marco estatístico; é o teste decisivo da segunda era do treinador, agora à frente de um elenco em reconstrução. A forma como ele traduz experiência em confiança para os mais jovens será fundamental não só para o placar de segunda-feira, mas para todo o ciclo rumo a 2026.
Com informações de BBC Sport