Montpellier (FRA), 21/11/2025 — O Montpellier HSC divulgou nota oficial nesta quinta-feira contestando as alegações de racismo feitas pela atacante australiana Mary Fowler em seu livro “Bloom”. A ex-jogadora do clube afirmou que, em 2022, ela e uma companheira negra teriam recebido bananas no vestiário enquanto colegas que se despediam receberam flores. A direção garante não haver evidências do episódio e classifica a acusação como “particularmente séria”.
Como surgiram as acusações?
No recém-lançado livro autobiográfico, Fowler relata que, após a última partida em casa da temporada 2021/22, duas atletas em fim de contrato foram homenageadas com buquês. Segundo a australiana, ela e outra jogadora, ambas insatisfeitas no clube, não receberam flores e, depois, teriam encontrado bananas em seus lugares no vestiário. O trecho ganhou repercussão internacional ao tocar no tema do racismo no futebol, ainda mais em ano olímpico, com Fowler em evidência pela seleção australiana.
O que diz o Montpellier?
Em comunicado em francês, o clube afirmou:
- As flores foram entregues apenas às atletas que, formalmente, encerravam contrato em 30/06/2022. Fowler e a colega citada tinham vínculo até 30/06/2023, o que tornaria inadequado um “presente de despedida”.
- Após ouvir membros da delegação presentes no vestiário naquele dia, não foi encontrado nenhum relato ou registro que corrobore a entrega de bananas.
- O Montpellier se declara “chocado” com a associação do episódio a práticas racistas e reitera “compromisso permanente no combate a qualquer forma de discriminação”.
Raio-X de Mary Fowler no Montpellier
Período no clube: 2020-2022
Partidas oficiais: 40
Gols: 10
Assistências: 7
Média de minutos em campo: 63 por jogo
Contratada aos 17 anos após se destacar na W-League australiana, Fowler amadureceu na Division 1 Féminine. Suas atuações abriram caminho para a transferência ao Manchester City em junho de 2022, por cerca de €250 mil, valor relevante no mercado feminino.
O contexto do combate ao racismo no futebol francês
Desde 2020, a Federação Francesa (FFF) prevê punições que vão de multas a perda de pontos para clubes cujos torcedores ou membros cometam atos racistas. A Ligue de Football Féminin, que organiza a D1, adota o mesmo protocolo de três etapas recomendado pela FIFA: aviso no sistema de som, paralisação temporária e, em último caso, abandono da partida. Internamente, o Montpellier criou em 2021 um comitê de diversidade voltado às categorias masculina e feminina.
Imagem: Internet
Possíveis repercussões para clube e atleta
Mesmo negando as acusações, o Montpellier deve enfrentar questionamentos de patrocinadores e da própria FFF, que pode abrir investigação independente para não passar a imagem de conivência. Para Fowler, o episódio traz luz às condições de atletas estrangeiras em ligas europeias e pode fortalecer campanhas educacionais da seleção australiana às vésperas do próximo ciclo olímpico.
No curto prazo, o caso não afeta a situação contratual da jogadora — hoje peça regular no Manchester City e titular na seleção —, mas coloca o clube francês em escrutínio. Dependendo do desfecho, o Montpellier pode ser pressionado a revisar protocolos internos ou lançar programas de inclusão mais robustos, buscando mitigar danos reputacionais.
Perspectiva: Se novas evidências surgirem, a Federação Francesa e até mesmo a UEFA poderão intervir. Já Fowler, em ascensão técnica, tende a usar a exposição para defender pautas antidiscriminatórias em entrevistas e redes sociais, influenciando a agenda do futebol feminino internacional.
Com informações de The Guardian