Bruxelas (12/10/2025) – Radja Nainggolan, hoje meio-campista do Lokeren, declarou em entrevista ao portal belga Sudinfo que mantém “um relacionamento humano excepcional” com Rudi Garcia, atual técnico da seleção da Bélgica. O ex-Roma afirmou que adoraria voltar a trabalhar com o treinador, enquanto, em paralelo, Garcia enfrenta críticas por não utilizar o atacante Michy Batshuayi nas Eliminatórias para a Copa do Mundo.
Por que Nainggolan vê Rudi Garcia como o “perfil ideal” para a seleção
Segundo o belga de 37 anos, o francês “administra muito bem o grupo” e valoriza o diálogo com os atletas – algo que o próprio Nainggolan sentiu de perto entre 2014 e 2016, período em que ambos levaram a Roma a duas vice-lideranças consecutivas da Serie A. O volante recordou um ritual motivacional: “Ele vinha sempre ao meu quarto antes do jogo para dar um incentivo extra”, prática repetida com todo o elenco.
Reencontro possível? O encaixe tático de Nainggolan
Questionado sobre atuar novamente sob o comando de Garcia, Nainggolan disse que “gostaria muito”, mas ponderou que não decide convocações. Caso seja chamado, o experiente meio-campista poderia oferecer à Bélgica uma opção de meia de transição – função em que se destacou na Roma de Garcia, alternando pressão alta sem bola e condução vertical em posse.
Garcia na mira dos críticos: a polêmica Batshuayi
O empate em 1 x 1 contra a Macedônia do Norte, em Bruxelas, acendeu o debate: por que Batshuayi, do Eintracht Frankfurt e apontado como substituto natural de Romelu Lukaku (lesionado), não saiu do banco? Para o ex-meia Steven Defour, “Michy tem faro de gol; se não marca com o pé, marca com o joelho ou o ombro”. Já o comentarista Philippe Albert questionou o critério de convocar o centroavante se ele não é utilizado em jogos apertados.
Raio-X dos protagonistas
Rudi Garcia
– 59 anos, contratado pela Federação Belga em janeiro/2025
– Campanha inicial nas Eliminatórias: 3 jogos, 2 vitórias, 1 empate, 7 pontos e liderança provisória do grupo G
– Histórico na Roma (2013-2016): 125 jogos, 61 vitórias, aproveitamento de 57,6%
Radja Nainggolan
– 37 anos, Lokeren (BEL)
– Pela seleção: 30 jogos, 6 gols (última convocação em 2017)
– Função preferencial: volante “box-to-box”, com média de 2,1 desarmes e 1,3 passes-chave por jogo em 2024/25*
Michy Batshuayi
– 32 anos, Eintracht Frankfurt (ALE)
– Pela seleção: 29 gols em 55 partidas, média 0,53 gol/jogo (dados UEFA)
– Temporada 2025/26: 7 gols em 10 partidas oficiais**
*Dados da Pro League belga
**Dados da Bundesliga até a 7ª rodada
Imagem: Internet
Impacto na campanha rumo à Copa do Mundo
O pragmatismo de Garcia garantiu solidez defensiva – apenas 1 gol sofrido em três rodadas –, mas a dificuldade de criar chances claras sem Lukaku desperta alerta. A pressão para testar Batshuayi cresce, sobretudo antes da janela de novembro, quando a Bélgica encara Eslovênia (fora) e Islândia (casa). Um eventual tropeço pode reabrir a disputa pela ponta do grupo e obrigar a seleção a buscar pontos em cenários mais hostis.
Próximos passos
Garcia terá três semanas de observação antes de divulgar a próxima lista de convocados. Se optar por Nainggolan, adicionará experiência ao meio-campo; se apostar em Batshuayi, sinalizará adaptação às críticas. O gerenciamento dessas escolhas pode definir não apenas a classificação direta para 2026, mas também a legitimidade do técnico perante torcedores e imprensa.
Nos bastidores, a convivência prévia entre Garcia, Nainggolan e o auxiliar Claude Fichaux pode facilitar a reintegração do volante. Já a insistência em esquemas sem centroavante de referência seguirá no centro do debate táctico se Batshuayi continuar no banco.
Com informações de Corriere dello Sport