Cortina d’Ampezzo (Itália) – A brasileira Nicole Silveira realizou nesta terça-feira (data divulgada pela Confederação Brasileira de Desportos no Gelo) as primeiras descidas de reconhecimento na pista de Skeleton/Bobsled de Cortina d’Ampezzo, a exatos três meses da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. O teste faz parte do calendário oficial da Federação Internacional de Bobsled e Skeleton (IBSF) para familiarizar os atletas com o traçado que será usado na Olimpíada.
Por que treinar em Cortina é decisivo?
O Sliding Centre “Eugenio Monti” foi totalmente modernizado para Milano-Cortina 2026. O circuito de 1.535 m, com 16 curvas e altitude inicial de 1.460 m, costuma premiar quem domina as transições de alta velocidade no segundo terço da pista. Ter a chance de treinar in loco permite que Nicole ajuste timing de impulsão, escolha de lâminas e linhas de entrada nas curvas 9 e 13, consideradas as mais técnicas.
Raio-X de Nicole Silveira
- Idade: 29 anos
- Participações olímpicas: PyeongChang-2018 (como reserva) e Pequim-2022 (22.ª colocada)
- Melhor resultado em Copa do Mundo: 7.º lugar em St. Moritz 2024 (melhor marca da América do Sul)
- Ranking IBSF 2023/24: 18.ª posição (183 pontos)
- Pico de velocidade registrado: 135,2 km/h em Altenberg (ALE)
O que o teste revela sobre a pista
De acordo com o staff técnico brasileiro, a pista de Cortina exige “impulsão explosiva” na reta de largada (38 m) e precisão cirúrgica na curva “Labirinto”, sequência que antecede o trecho final. Em entrevista ao COB, Nicole destacou que “ter a oportunidade de sentir a pista olímpica antes do evento faz uma diferença enorme”, aludindo ao ganho de confiança e à elaboração de folhas de configuração (“set-up”) específicas para diferentes condições de gelo.
Impacto na preparação até Milano-Cortina 2026
O treino marca a penúltima etapa da preparação brasileira. Nas próximas semanas, Nicole participa de duas etapas da Copa do Mundo (Innsbruck e Sigulda) antes de retornar a Cortina para a Semana Olímpica oficial, já em janeiro. Os tempos colhidos agora servirão como balizador para as metas de velocidade de partida (abaixo de 5,30 s nos primeiros 50 m) e de traçado (menos de 59 s por descida) estabelecidas pela comissão técnica.
Imagem: Divulgação
Perspectiva: Se mantiver o ritmo de evolução apresentado desde 2023, Nicole tem chances reais de brigar por um inédito top-15 para o Brasil no skeleton feminino. O desempenho nas etapas pré-olímpicas, aliado ao conhecimento adquirido da pista, será determinante para converter essa projeção em resultado histórico na Itália.
Com informações de BandSports