Milão, 23 de setembro de 2025 – Em entrevista à Mediaset antes do jogo contra o Lecce, o presidente do Milan, Paolo Scaroni, afirmou que o processo burocrático para a construção do novo estádio compartilhado entre Milan e Inter está “na reta final”. Segundo o dirigente, o aval definitivo da prefeitura de Milão deve ser a última etapa antes do início das obras, que têm como ambição erguer “o estádio mais bonito da Europa”.
Por que Milão precisa de uma nova casa
Construído em 1926 e reformado diversas vezes, o atual San Siro conta hoje com capacidade para pouco mais de 75 mil torcedores. Embora siga entre os palcos mais emblemáticos do futebol mundial, o estádio apresenta limitações que impactam diretamente a receita de matchday dos dois gigantes lombardos. Em 2024/25, Milan e Inter registraram médias de público acima de 70 mil pessoas, mas a infraestrutura datada restringe a criação de experiências premium – camarotes, áreas corporativas e serviços de hospitalidade – que geram até três vezes mais receita em arenas modernas da Premier League.
Além disso, a UEFA vem endurecendo critérios de conforto, acessibilidade e sustentabilidade para receber finais de competições continentais. Scaroni destacou que não imagina Milão “sem um estádio capaz de receber Copas, seleções e finais europeias”, reforçando a urgência do projeto.
O desenho da arena: a assinatura de Norman Foster
Para atender aos requisitos de modernidade e identidade arquitetônica, o consórcio escolheu o escritório britânico Foster + Partners. Norman Foster foi o responsável pela reconstrução de Wembley (2007) e projetou arenas como Lusail (Catar) e Camp Nou (reforma do Barcelona). O conceito preliminar para Milão prevê:
- Capacidade modulável entre 65 mil e 70 mil lugares, priorizando conforto e visibilidade.
- Envolto externo inspirado nas tradicionais torres do San Siro, mantendo vínculo estético com a história local.
- Certificação ambiental de alto padrão, com painéis solares e reaproveitamento de água da chuva.
- Shopping, museu conjunto e espaços de coworking para uso 365 dias por ano.
Raio-X: números que explicam a urgência
Receita de matchday (2023/24)
- Milan: € 43 milhões (estimativa Deloitte Football Money League)
- Inter: € 49 milhões
- Tottenham (arena inaugurada em 2019): € 123 milhões
Média de público (Serie A 2024/25)
- Inter – 72 845 torcedores
- Milan – 70 112 torcedores
Os dados ilustram o potencial de crescimento: clubes ingleses com estádios de última geração já triplicam a arrecadação em dias de jogo em comparação aos italianos.
Imagem: Internet
Próximos passos no cronograma
De acordo com Scaroni, a tramitação municipal está na fase de deliberação final na Câmara de Milão. Se aprovado:
- Assinatura da concessão do terreno – estimada para o 1º trimestre de 2026.
- Início das obras – após licenciamento ambiental, podendo ocorrer ainda em 2026.
- Conclusão projetada – ciclo de construção de cerca de 3 a 4 anos, mirando entrega completa entre 2029 e 2030.
Durante a obra, a ideia preliminar é que Milan e Inter sigam atuando no San Siro, que seria posteriormente desativado ou remodelado para uso alternativo, tema que ainda será definido junto à prefeitura.
Impacto competitivo futuro: uma arena moderna pode elevar em até € 60 milhões/ano a receita de estádios dos dois clubes, aproximando-os do patamar financeiro de rivais ingleses e espanhóis. Em termos esportivos, o incremento de caixa potencializa investimentos em elenco, infraestrutura de base e compliance com o Fair Play Financeiro da UEFA.
No curto prazo, todas as atenções estarão voltadas ao conselho municipal de Milão. Se a votação ocorrer e for favorável ainda neste semestre, Milan e Inter passarão da etapa burocrática para a execução do projeto – um movimento que pode redefinir o mapa econômico do futebol italiano na próxima década.
Com informações de Corriere dello Sport