Porto Alegre (06/11/2025) – O candidato à presidência do Grêmio, Odorico Roman, apresentou em entrevista exclusiva o seu plano de 100 dias, estruturado para equilibrar as finanças do clube, potencializar a Arena e formar um elenco competitivo já para a temporada 2026.
Por que o plano de 100 dias é o centro da proposta
Segundo Roman, as primeiras decisões envolverão “agir em várias frentes simultaneamente”, com foco imediato em três pilares:
- Profissionalização da gestão: executivos de mercado assumem áreas chave, reduzindo improvisos que marcaram anos recentes.
- Equilíbrio financeiro: corte de despesas, reestruturação de dívidas e aumento de receitas na Arena.
- Time competitivo já em 2026: contratação assertiva baseada em dados, integrando base, scout e análise de desempenho.
Raio-X financeiro e esportivo do Grêmio
Déficit recorrente: o balanço de 2024 apontou déficit operacional de aproximadamente R$ 40 milhões, resultado de folha salarial crescente (+18%) e receitas estáveis.
Arena subaproveitada: a taxa média de ocupação em 2023 foi de 55%, muito abaixo dos 70% projetados no plano original do estádio. Cada 10% a mais de presença representa cerca de R$ 12 milhões adicionais por temporada em bilheteria e matchday.
Base pouco utilizada: apenas 17% dos minutos de jogo do Grêmio em 2025 foram de atletas formados em casa, índice inferior a clubes que lideram o aproveitamento de categoria de base, como Athletico-PR (35%).
Formação de elenco: a matemática de Roman
O candidato detalhou uma composição-alvo para o grupo profissional:
- 20% a 30% de atletas vindos da base
- 30% a 40% de jovens promissores contratados no mercado
- 40% de jogadores experientes
O modelo segue a lógica de squad balance, prática adotada por clubes europeus para controlar custos de elenco e manter margem de revenda.
Impacto imediato na Arena
A aquisição total do estádio — facilitada pelo ex-presidente Marcelo Marques — abre caminho para novas receitas de naming rights, eventos não futebol e experiências de hospitalidade. Roman cita a meta de “monetização da Arena” como motor financeiro, alinhando o desempenho esportivo a uma ocupação mais alta do estádio.
Imagem: divulgação
Comparativo com gestões anteriores
Nos últimos cinco anos, o Grêmio trocou de técnico em média a cada 10 meses e destinou 75% da receita operacional apenas para a folha de futebol. Roman propõe um choque de gestão para reduzir a relação folha/receita para a faixa de 60%, patamar considerado saudável pela CBF.
Futebol feminino e base ganham prioridade
O fortalecimento do futebol feminino, inspirado no modelo vencedor do Corinthians, passa por:
- Investimento contínuo em infraestrutura
- Calendário de amistosos internacionais para exposição de marca
- Captação de patrocínios dedicados ao time feminino
Para a base, a integração entre Escola do Cristal e profissional exigirá staff multidisciplinar (nutrição, psicologia e análise de desempenho) para preparar jogadores que cheguem mais cedo ao time principal.
O que muda se Roman for eleito
• Curto prazo (100 dias): revisão de contratos, primeira leva de reforços e lançamento do comitê executivo de futebol.
• Médio prazo (2026): time competitivo nas fases decisivas da Copa do Brasil e Libertadores, com projeção de aumento de 15% na receita operacional.
• Longo prazo (até 2028): equilíbrio estrutural das contas, com a Arena gerando 30% da receita total do clube.
Análise de impacto futuro: Caso as metas de equilíbrio e profissionalização se concretizem, o Grêmio tende a reduzir a dependência de empréstimos bancários, melhorar sua capacidade de investimento em elenco e retomar protagonismo esportivo. O desfecho das eleições, portanto, pode redesenhar o cenário do futebol gaúcho nas próximas temporadas.
Com informações de Portal do Gremista