Glasgow (Escócia), 1º de março de 2026 – Celtic e Rangers se enfrentam neste domingo, no Ibrox Stadium, num Old Firm que vai além da rivalidade centenária: com o Hearts surpreendentemente isolado na liderança e o Motherwell em ascensão, o clássico tornou-se um jogo de “vida ou morte” para as duas maiores torcidas da Escócia.
Por que o duelo ganhou contornos de decisão
O Hearts, comandado por Derek McInnes, resiste no topo da Scottish Premiership e obriga os gigantes de Glasgow a vencer. Qualquer tropeço pode ampliar a distância, sobretudo porque:
- O Celtic ocupa a 3ª posição e já desperdiçou pontos em 10 das 27 rodadas.
- O Rangers está na vice-liderança, mas também corre atrás após um início de temporada irregular.
- Motherwell, quase imbatível defensivamente sob Jens Berthel Askou, pressiona logo atrás.
Contexto nos bancos: experiência x novidade
No lado celta, Martin O’Neill completa 74 anos exatamente no dia do clássico e tenta reerguer a equipe após a passagem malsucedida de Wilfried Nancy e a breve etapa com Brendan Rodgers. Do outro, o alemão Danny Rohl — amparado pelo investimento pesado do proprietário Andrew Cavenagh (20 mi de libras líquidos na janela de verão e novo gasto em janeiro) — conseguiu estabilizar o Rangers e reduz a margem para o Hearts.
Raio-X das estatísticas
Celtic 2025/26 vs. 2024/25 (após 27 rodadas)
- Vitórias: 5 a menos
- Derrotas: 5 a mais
- Gols marcados: −28
- Gols sofridos: +9
- Pontos: −15 (era líder com 13 de vantagem um ano atrás)
Rangers 2025/26 vs. 2024/25 (após 27 rodadas)
- Pontos: −3
- Vitórias: −3
- Derrotas: −3
- Saldo de gols: +8 (9 gols a mais marcados, 1 a mais sofrido)
Finanças e investimento (última década)
- Celtic: £195 mi em premiações europeias; vendas de jogadores superam £100 mi; £67 mi em caixa.
- Rangers: quase £100 mi em receitas continentais; alto aporte em reforços só nesta temporada.
Defesas desfalcadas e escolhas-chave
O’Neill não contará com Cameron Carter-Vickers e Alistair Johnston (lesionados), além de Auston Trusty (suspenso). A dúvida está no gol: manter o experiente, porém errático, Kasper Schmeichel ou apostar novamente em Viljami Sinisalo, bem contra o Stuttgart? Rohl, por sua vez, chega completo e provocou o rival ao comentar publicamente a escalação celta, “cutucada” que O’Neill classificou como “extraordinária”.
Imagem: Internet
O que está em jogo além dos três pontos
• Manutenção da perseguição ao Hearts: derrota pode significar abrir até três possessões de bola (≥ 6 pontos) de desvantagem.
• Pressão das arquibancadas: a torcida do Celtic vive clima de cisão com a diretoria; uma nova frustração agrava o ambiente.
• Ritmo para o sprint final: restarão 10 rodadas e confrontos diretos com Hearts e Motherwell.
Impacto futuro: efeito dominó na tabela
Quem vencer assume moral para a reta decisiva e pode forçar o Hearts a jogar sob outra tensão. Já o perdedor corre o risco de ser ultrapassado pelo Motherwell, cenário impensável há poucos meses e que abriria discussão sobre mudanças estruturais imediatas, seja no comando técnico, seja em novas contratações de emergência para o verão europeu.
Em síntese, o Old Firm de domingo não decidirá matematicamente o campeonato, mas funcionará como ponto de inflexão: ou Celtics e Rangers reagem para restabelecer a velha ordem, ou a Escócia ganhará um campeão fora do duopólio pela primeira vez desde 1985.
Com informações de BBC Sport